Cinema: "Premonição 5"



A franquia Premonição teve início em 2000 e apresentava uma ideia relativamente curiosa. Um sujeito prevê uma série de mortes interligadas a um evento comum (como uma viagem aérea, no primeiro filme) momentos antes de o acidente deflagrador acontecer. Então tenta convencer o grupo de pessoas que o acompanha sobre a visão que teve e evitar tal fado. Por essa premissa, pois, eles enganaram a Morte e causaram um desequilíbrio na estrutura da vida. Assim, ao que conseguem se safar da tragédia, irão um a um morrer até que o balanço seja novamente restabelecido.

Dessa forma, o ponto alto — mas também o ponto fraco — dos filmes residia nas invencionices por trás das tentativas da Morte de arrebatar os personagens, alternando entre obviedades, originalidade e muita coincidência. Uma tolice, é verdade, mas que não se furtava da diversão (mesmo que por vezes não intencional).

Certamente o sucesso acompanhou uma novidade como essa no ramo do terror, e os produtores não hesitaram em repetir a mesma estrutura em mais quatro filmes, chegando-se agora a Premonição 5, o segundo a utilizar o 3D como ferramenta narrativa (?).

Numa viagem para uma gincana do trabalho, o protagonista tem uma premonição que inclui a morte de vários colegas (e a sua própria) com o colapso de uma ponte em obras sobre a qual o ônibus em que estavam precisa parar. Assim que volta à consciência, consegue livrá-los a tempo do infortúnio (numa cena em que obviamente há um lapso cronológico). Perturbados com a situação, o grupo começa a se preocupar com questões filosóficas (e como é falsamente encenado esse filme!) ao mesmo tempo em que tentam retornar a suas rotinas. Mas eis que os coadjuvantes começam a morrer, e não vai muito até que se descobre que as mortes estão acontecendo na mesma ordem da do sonho premonitório. Eventualmente os que restam acabam encontrando um misterioso homem (uma figura clássica na série) que lhes diz que, para evitar que o mesmo lhes aconteça, precisam tirar a vida de outra pessoa e manter assim o tal equilíbrio, uma vez que não deveriam sobreviver àquele acidente.

Na direção está Steven Quale, diretor de segunda unidade de Avatar, e aqui ele joga tudo quanto é objeto contra a tela (literalmente) já nos créditos iniciais, para depois, infelizmente, mostrar-se bem mais comedido. O roteiro cabe a Eric Heisserer, que escreveu os novos A Hora do Pesadelo, de 2010, e O Enigma de Outro Mundo, este ainda inédito — já se pode temer pelo que virá. Fato é que, à despeito de um roteiro bobo e de uma condução narrativa e visual sem destaques, Premonição 5 vai aos poucos arrumando o campo para a importante e entusiasmada revelação final. E, mesmo que no momento o filme insista em alguns detalhes (a data na passagem aérea, por exemplo) para que se perceba qual é, afinal, essa surpresa, é bem provável que durante toda a projeção o espectador sequer tenha atentado a detalhes no mínimo intrigantes (o principal deles: o ano em que a história transcorre). "Isso já aconteceu antes", diz o tal homem misterioso. Pode ser verdade (e seria lógico), mas é uma bela pegadinha.

Ainda assim, é uma produção sofrível em diálogos e atuações (sem contar o enredo principal, totalmente lugar-comum), com incontáveis erros de continuidade, poucas sequências de impacto e tensão rarefeita. Tão ordinária que nem o uso da terceira dimensão consegue animar.


Premonição 5 (Final Destination 5), 2011, Estados Unidos, 92 minutos.

Cotação: 4/10

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