Cinema: "Transformers: O Lado Oculto da Lua"


Seria inútil comparar Transformers: O Lado Oculto da Lua com seus predecessores não fosse isso fonte de comentários — positivos e negativos — a se fazer sobre o filme. Terceiro na franquia criada a partir dos brinquedos da Hasbro (que ainda antes viraram série animada para a tevê na década de 80), O Lado Oculto da Lua se distancia do extremo constrangedor que fora A Vingança dos Derrotados, de 2009, mas também falta com a sensação de novidade (e um até certo comedimento) que o primeiro Transformers trouxe em 2007.

Admitindo publicamente o fracasso artístico que a série tomou com o segundo capítulo, o diretor Michael Bay disse que se esforçaria para não cometer os mesmos equívocos no trabalho seguinte. As melhoras se observam na estrutura geral da trama, aqui um pouco mais coerente, e em algumas cenas de ação mais elaboradas. Mas ainda há o punhado de atores relegados a papéis coadjuvantes vergonhosos, as tentativas de humor inadequadas, as soluções toscas do roteiro e os vícios de filmagem do próprio Bay, por si só um incômodo à parte.

É curioso observar, no decorrer da franquia, como sempre foram os robôs que sustentaram a dramaticidade da história. Totalmente concebidos em computação gráfica, os "transformers" trazem expressões e movimentos muito mais verossímeis que os de qualquer ator em cena. Envolver-se com esses personagens é importante, claro, mas é visível que falta a identificação com os personagens humanos, que, à exceção vez por outra de Shia LaBeouf, não têm um mínimo desenvolvimento.

E Bay tampouco está preocupado com isso. Quando há suspensão dessas necessidades em favor de grandes sequências de ação, resta ver os méritos que ali se aplicam. Junto a um uso excelente do 3D e de ótimos efeitos visuais, O Lado Oculto da Lua se esquiva dos deméritos com não poucas cenas vibrantes, montadas com a cautela de se preservar o formato e carregadas com efeitos sonoros detalhados.

Transformers nunca escondeu suas intenções comerciais — de veículo de propaganda para diversas marcas à venda de produtos relacionados aos personagens. É de se lamentar que agora seja apenas isso a movimentar a franquia (que surgiu a partir do interesse pessoal de Steven Spielberg nos brinquedos). Um fracasso nas bilheterias poderia ser sinal para alertar os produtores a repensar os rumos dos filmes. Mas, com seu mais de bilhão em arrecadações mundiais, é difícil que alguém queira interferir.


Transformers: O Lado Oculto da Lua (Transformers: Dark of the Moon), 2011, Estados Unidos, 154 minutos.

Cotação: 6/10

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