Cinema: "Minhas Mães e Meu Pai"



Como apresentar a temática gay em um filme sem causar estranheza a boa parte do público? Minhas Mães e Meu Pai parece ter uma resposta bem democrática para essa pergunta: basta inserir um contexto familiar aconchegante, juntamente com uma pitada de bom humor. Minhas Mães e Meu Pai apresenta uma família homossexual tão presa ao cotidiano quanto uma família heterossexual, e é aí que se constrói uma base perfeita para trabalhar com as fraquezas dessa relação.

A diretora Lisa Cholodenko, a qual demonstra experiência com as relações homossexuais femininas (como em High Art), conduz o longa de forma tão natural que os beijos trocados entre Julianne Moore e Annette Bening fazem-nos recordar da época apaixonada de nossos próprios pais. Talvez porque a diretora deixe clara a relação "macho/fêmea" entre as duas protagonistas. Bening antecipa-se como uma mãe dominante, rigorosa, desconfiada e provedora principal do sustento da família. Moore demonstra seu carisma sendo uma mãe de coração aberto, compreensiva e espontânea.

Já não bastasse a completude advinda desses dois papéis, surge o doador de esperma dos filhos adolescentes do casal gay para desestabilizar essa relação tão equilibrada. Mark Ruffalo atua de forma satisfatória na medida em que aprofunda sua relação com os filhos interpretados por Mia Wasikowska e Josh Hutcherson, porém, nada que justifique sua indicação ao Oscar. Enquanto Bening demonstra seriedade em seu personagem, Moore permanece soberba, interpretando uma mulher de energia acumulada e levemente inconsequente. Mia Wasikowska supera as expectativas e encara seu papel com solidez, conseguindo externalizar uma adolescente com crises de responsabilidade.

Principalmente, Minhas Mães e Meu Pai sobressai-se quando mostra, mesmo que de forma superficial, a quebra de paradigmas em relação às dicotomias sexuais, mostrando que heterossexuais e homossexuais não deixarão de ser o que são se possuírem experiências fora da sua orientação sexual. A sexualidade é um complexo de comportamentos, e não se pode caracterizar tudo o que foge do padrão como uma disfunção ou desvio sexual. Tal tabu evidencia-se em alguns diálogos do personagem de Mark Rufallo, o qual, propositadamente, figura como "o alternativão" da trama.

Com uma química invejável, Moore e Bening dão um toque diferencial às famosas histórias de família, tão corriqueiras na sétima arte. O enredo de Minhas Mães e Meu Pai nos cativa na medida que avança para um final o qual já projetamos de antemão, graças a velha utopia de que o amor sempre prevalece. Fazendo um panorama de uma família moderna, demonstrando os obstáculos da dura tarefa da criação dos filhos, passeando entre o fazer, o não fazer e as suas consequências, Minhas Mães e Meu Pai é um filme que consegue trabalhar com todas essas fragilidades vivenciais, sem cair na normalidade cinematográfica.


Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right), 2010, Estados Unidos, 106 minutos.

Cotação: 7/10 

Cinema: "O Turista"


Um filme dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck (do maravilhoso A Vida dos Outros) com Angelina Jolie e Johnny Depp como protagonistas seria, no mínimo, convidativo, caso não soubéssemos dá fórmula perigosa ação/comédia/romance que nos seria apresentada. No entanto, por ser um filme de estrelas, tornou-se obrigatório para mim. Hoje, gostaria de esquecê-lo.

The Tourist é um filme que desperdiça seu Cast and Crew, tentando, sem êxito, aproximar-se do gênero de filme ressuscitado por James Mangold em Encontro Explosivo. Diferente deste, em que as inserções de comédia fluem e soam naturais, em The Tourist elas são muito mais raras e, quando aparecem, estão envolvidas por um contexto tão dramatizado que não conseguem atingir sua intensidade.

O roteiro é conduzido de forma atrapalhada durante todo o longa, talvez porque a preocupação com sua qualidade concentrou-se nas cenas finais, que, com certeza, são as melhores (apesar da total inverossimilhança). Há outras cenas que se estendem demais sem objetivo específico, apenas para fatigar a quem assiste e para tornar as tomadas de ação ainda mais raras.

Jolie atua com uma equivocada e desconfortável postura de balé clássico e, assim como em outros trabalhos seus, não deposita energia necessária à sua personagem. Johnny Depp, mesmo com o roteiro lhe prejudicando, garante algumas cenas engraçadas através da sua incrível capacidade de expressão. Ainda havia aqueles que apostavam na fotografia do filme, porém, nem mesmo as belas paisagens de Veneza foram retratadas de forma satisfatória pela técnica, faltando ao filme, além de tudo que já citei, um preenchimento artístico.

The Tourist fracassou em quase todos os seus aspectos, e não conseguiu atingir o modelo (que por vezes parece simples, mas não é) de uma comédia despreocupada. Por usar locações ambiciosas e figuras belíssimas como Jolie e Depp em um contexto carecido, The Tourist é uma produção superficial. 


O Turista (The Tourist), 2010, Estados Unidos/França, 103 minutos.

Cotação: 3/10


As indicações da 83ª premiação do Oscar acontecem na manhã de terça-feira, dia 25 de janeiro, e é sempre um exercício divertido tentar adivinhar os filmes que entraram nas listas de nomeações. A atual temporada de premiações tem se mostrado até que previsível, com A Rede Social vencendo quase todos os prêmios de Melhor Filme, Diretor e Roteiro Adaptado — e foi uma enorme (e interessante) surpresa ver o Sindicato dos Produtores (PGA) dar seu prêmio máximo a O Discurso do Rei, na noite do último dia 22. Aliás, se há um filme que desde suas primeiras exibições havia se mostrado forte o suficiente para concorrer com o de Fincher, esse é a produção de Tom Hooper (que, como esperado, arrebatou o maior número de indicações ao BAFTA, 14). Nesse tempo, também vimos Natalie Portman (Cisne Negro) brilhar nas premiações dos críticos, superando Annette Bening (Minhas Mães e Meu Pai) e Jennifer Lawrence (Inverno da Alma), as apostas iniciais a Melhor Atriz. No entanto, anda há o prêmio do Sindicato dos Atores (SAG) para direcionar melhor a disputa na categoria. Situação semelhante vem acontecendo com os atores protagonistas, com Colin Firth (O Discruso do Rei) e Jesse Eisenberg (A Rede Social) preterindo o favorito inicial da temporada, James Franco (127 Horas). Entre os coadjuvantes, o quadro está mais indeciso: do lado dos atores, Christian Bale (O Vencedor) vem à frente; já entre as atrizes, Melissa Leo (O Vencedor) e Hailee Steinfeld (Bravura Indômita) parecem ser as principais concorrentes. Mas, novamente aqui, as escolhas do SAG definirão melhor a situação.

Demais comentários são apresentados abaixo, com as apostas seguindo ordem decrescente de probabilidade de indicação, seguidas de nomes que também têm boas chances de aparecer nas categorias (as "alternativas") e de outros que, não muito esperados, representariam "surpresas" nas listas.


Melhor Filme
  • A Rede Social
  • O Discurso do Rei
  • A Origem
  • Cisne Negro
  • O Vencedor
  • Bravura Indômita
  • Minhas Mães e Meu Pai
  • Toy Story 3
  • 127 Horas
  • Atração Perigosa.......... Inverno da Alma
Alternativa: Inverno da Alma
Surpresas: Ilha do Medo ou O Escritor Fantasma
  • A categoria de Melhor Filme parece ter nove indicados já fechados, restando dúvida quanto ao décimo, que pode muito bem ser Inverno da Alma (que é auxiliado pelas prováveis indicações a Melhor Atriz e a Melhor Roteiro Adaptado) ou Atração Perigosa (que também pode entrar em Melhor Ator Coadjuvante). Lembrando-se que ano passado Um Sonho Possível entrou com apenas outra indicação a Melhor Atriz, pode-se esperar por qualquer coisa aqui.
◊ Resultado: 9/10 _ Inverno da Alma acabou fechando a categoria, que não apresentou nenhuma surpresa.


Melhor Direção
  • David Fincher, A Rede Social
  • Christopher Nolan, A Origem.......... Ethan Coen e Joel Coen, Bravura Indômita
  • Tom Hooper, O Discurso do Rei
  • Darren Aronofsky, Cisne Negro
  • David O. Russell, O Vencedor
Alternativa: Ethan Coen e Joel Coen, Bravura Indômita
Surpresa: Roman Polanski, O Escritor Fantasma
  • Quando eram apenas cinco indicados a Melhor Filme, era até raro ver os respectivos diretores entrarem todos em Melhor Direção. Por isso é bom esperar uma provável alternativa a um da lista do DGA (que normalmente refletia os antigos cinco indicados à categoria principal), sendo os irmãos Coen a aposta mais forte, no lugar de O. Russell. Em 2002, Cidade dos Sonhos foi lembrado apenas aqui (sem prévia nomeação ao prêmio do Sindicato), então não será de todo estranho caso Polanski também traga a única indicação de O Escritor Fantasma nessa categoria.
◊ Resultado: 4/5 _ Vale a pena comentar a ausência de Nolan?


Melhor Ator
  • Colin Firth, O Discurso do Rei
  • Jesse Eisenberg, A Rede Social
  • James Franco, 127 Horas
  • Jeff Bridges, Bravura Indômita
  • Ryan Gosling, Namorados para Sempre.......... Javier Bardem, Biutiful
Alternativas: Robert Duvall, Get Low e Javier Bardem, Biutiful
Surpresa: Leonardo DiCaprio, Ilha do Medo
  • Firth, Eisenberg e Franco são certos, e Bridges, quase isso. Gosling já foi lembrado aqui por Half Nelson: Encurralados, em 2007; Duvall teve sua última indicação a Melhor Ator há 13 anos; e Bardem (que foi lembrado no BAFTA por esse papel) tem todo um prestígio com a Academia (duas indicações e uma vitória). Já DiCaprio, bom, é possível ter alguém mais injustiçado em toda essa temporada de premiações? Não, não é.
◊ Resultado: 4/5 _ Como alguns já apontavam, Bardem ficou com o lugar que poderia ser de Duvall ou Gosling.


Melhor Atriz
  • Natalie Portman, Cisne Negro
  • Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai
  • Jennifer Lawrence, Inverno da Alma
  • Nicole Kidman, Reencontrando a Felicidade
  • Michelle Williams, Namorados para Sempre
Alternativa: Julianne Moore, Minhas Mães e Meu Pai
Surpresa: Hailee Steinfeld, Bravura Indômita
  • Novamente: três indicações certas; Moore podendo fazer companhia a Bening no melhor estilo Thelma e Louise; e o caso da protagonista de Bravura Indômita que vem sendo submetida como coadjuvante.
◊ Resultado: 5/5


Melhor Ator Coadjuvante
  • Christian Bale, O Vencedor
  • Andrew Garfield, A Rede Social.......... John Hawkes, Inverno da Alma
  • Geoffrey Rush, O Discurso do Rei
  • Mark Ruffalo, Minhas Mães e Meu Pai
  • Jeremy Renner, Atração Perigosa
Alternativa: John Hawkes, Inverno da Alma
Surpresas: Bill Murray, Get Low e Justin Timberlake, A Rede Social

◊ Resultado: 4/5 _ Hã? A melhor atuação em A Rede Social ficou de fora? Hawkes era esperado, mas no lugar de Renner ou Ruffalo.


Melhor Atriz Coadjuvante
  • Melissa Leo, O Vencedor
  • Hailee Steinfeld, Bravura Indômita
  • Helena Bonham Carter, O Discurso do Rei
  • Amy Adams, O Vencedor
  • Jacki Weaver, Reino Animal
Alternativa: Mila Kunis, Cisne Negro
Surpresas: Lesley Manville, Another Year e Marion Cotillard, A Origem

◊ Resultado: 5/5


Melhor Roteiro Original
  • A Origem
  • O Discurso do Rei
  • Cisne Negro.......... Another Year
  • Minhas Mães e Meu Pai
  • O Vencedor
Alternativas: Namorados para Sempre e Another Year

◊ Resultado: 4/5 _ E Cisne Negro é o único indicado a Melhor Filme que não entrou em Roteiro.


Melhor Roteiro Adaptado
  • A Rede Social
  • Bravura Indômita
  • Toy Story 3
  • Inverno da Alma
  • 127 Horas
Alternativa: O Escritor Fantasma
Surpresa: Como Treinar o Seu Dragão

◊ Resultado: 5/5


Melhor Edição
  • A Origem.......... O Vencedor (A piada do ano, sem mais.)
  • A Rede Social
  • Cisne Negro
  • O Discurso do Rei
  • 127 Horas
Alternativa: O Vencedor
Surpresa: Ilha do Medo

◊ Resultado: 4/5 _ É de se duvidar da competência dos montadores que escolheram os indicados, porque A Origem ficar de fora justo numa de suas categorias técnicas mais fortes parece ser tão absurdo quanto Nolan não entrar em Direção.


Melhor Fotografia
  • A Origem
  • Bravura Indômita
  • Cisne Negro
  • 127 Horas.......... O Discurso do Rei
  • A Rede Social
Alternativas: Ilha do Medo e O Discurso do Rei
Surpresa: O Escritor Fantasma

◊ Resultado: 4/5 _ E se teve a mesma lista do ASC.


Melhor Direção de Arte
  • A Origem
  • O Discurso do Rei
  • Alice no País das Maravilhas
  • Ilha do Medo.......... Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1
  • Bravura Indômita
Alternativa: Cisne Negro
Surpresa: O Escritor Fantasma

◊ Resultado: 4/5 _ Harry Potter já era para ter ganhado nessa categoria há muito tempo, mas indicar Stuart Craig nunca é demais. Ilha do Medo, assim, ficou de fora do Oscar.


Melhor Figurino
  • Alice no País das Maravilhas
  • Cisne Negro.......... A Tempestade
  • O Discurso do Rei
  • Bravura Indômita
  • Ilha do Medo.......... Io Sono L'Amore
Alternativa: A Tempestade
Surpresa: TRON: O Legado

◊ Resultado: 3/5 _ Sandy Powell, queridinha da Academia, entrou (detalhe: todos os filmes de Julie Taymor conseguiram indicação aqui). Ilha do Medo, mais uma vez, foi esnobado.


Melhor Maquiagem
  • Alice no País das Maravilhas.......... Minha Versão para o Amor
  • Bravura Indômita.......... Caminho da Liberdade
  • O Lobisomem
Alternativa: O Vencedor

◊ Resultado: 1/3 _ É só lembrar que Distrito 9 nem foi indicado ano passado para se questionar as escolhas nessa categoria.


Melhores Efeitos Visuais
  • A Origem
  • TRON: O Legado.......... Além da Vida
  • Alice no País das Maravilhas
  • Homem de Ferro 2
  • Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1
Alternativa: Scott Pilgrim Contra o Mundo

◊ Resultado: 4/5 _ Se há uma surpresa boa entre todos os indicados, está na ausência de TRON: O Legado nessa categoria. Aparentemente não fui só eu que não me impressionei com seus efeitos visuais.


Melhor Mixagem de Som
  • A Origem
  • A Rede Social
  • Bravura Indômita
  • Cisne Negro.......... O Discurso do Rei (Hã?!)
  • 127 Horas.......... Salt
Alternativas: Como Treinar o Seu Dragão e Toy Story 3 e Ilha do Medo e TRON: O Legado

◊ Resultado: 3/5 _ Cisne Negro merecia mais (e nem vi o filme).


Melhor Edição de Som
  • A Origem
  • Homem de Ferro 2.......... TRON: O Legado
  • Bravura Indômita
  • Toy Story 3
  • Como Treinar o Seu Dragão.......... Incontrolável
Alternativa: 127 Horas

◊ Resultado: 3/5 _ Homem de Ferro 2 merecia mais que TRON: O Legado e bem mais que Incontrolável uma vaga aqui.


Melhor Partitura Original
  • A Origem
  • A Rede Social
  • O Discurso do Rei
  • Como Treinar o Seu Dragão
  • 127 Horas
Alternativas: Alice no País das Maravilhas e O Escritor Fantasma
Surpresa: TRON: O Legado

◊ Resultado: 5/5 _ John Powell, um dos melhores compositores da atualidade, finalmente conseguiu sua indicação.


Melhor Canção Original
  • "You Haven't Seen the Last of Me", Burlesque..........
  • "We Belong Together", Toy Story 3
  • "Sticks and Stones", Como Treinar o Seu Dragão.......... "Coming Home", Country Strong
  • "If I Rise", 127 Horas
  • "I See the Light", Enrolados
Observação: A categoria pode ter nenhum, 2, 3, 4 ou 5 indicados.
Alternativas: "Shine", Waiting for Superman
Surpresas: "Better Days", Comer, Rezar, Amar e "Elipse: All Yours", Eclipse e "Alice", Alice no País das Maravilhas

◊ Resultado: 3/4 _ "Sticks and Stones", que tem a letra mais bonita do ano, não está aqui, mas a repetitiva "We Belong Together", sim. Pelo menos tem-se "If I Rise" para dar algum sentido à categoria.


Melhor Filme de Animação
  • Toy Story 3
  • Como Treinar o Seu Dragão
  • O Mágico
Alternativas: Enrolados e Meu Malvado Favorito (nem quero ver uma coisa dessas...)
Surpresa: Megamente

◊ Resultado: 3/3


Melhor Filme em Língua Estrangeira
  • Biutiful, México
  • Em um Mundo Melhor, Dinamarca
  • Incendies, Canadá
  • Life, Above All, África do Sul.......... Fora da Lei, Algéria
  • Dente Canino, Grécia
Alternativas: I rymden finns inga känslor (Simple Simon), Suécia e Kokuhaku (Confessions), Japão

◊ Resultado: 4/5 _ Fui pela premissa de Life, Above All e pelas notas dos filmes no IMDb. Entenda a situação...


Melhor Documentário
  • Waiting for Superman.......... GasLand
  • Trabalho Interno
  • Exit throught the Gift Shop
  • Restrepo
  • The Tillman Story.......... Lixo Extraordinário
Alternativas: Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer e Lixo Extraordinário

◊ Resultado: 3/5 _ Waiting for Superman não está? No que essa gente está pensando?!


Melhor Curta Metragem em Live Action
  • Ana's Playground, Estados Unidos, 18'
    ..........
    God of Love, EUA, 18'
  • Wish 143, Inglaterra, 24'
  • The Six Dollar Fifty Man, Nova Zelândia, 15'
    ..........
    The Confession, Inglaterra, 26'
  • Na Wewe, Bélgica, 19'
  • Slitage (Seeds of the Fall), Suécia, 18'
    ..........
    The Crush, Irlanda, 15'
Os outros pré-indicados:
God of Love, EUA, 18'
The Confession, Inglaterra, 26'
Små barn, stora ord (Little Children, Big Words), Suécia, 12'
Shoe, Irlanda, 13'
The Crush, Irlanda, 15'

◊ Resultado: 2/5 _ Quase ninguém se arriscou a apostar nas categorias de curta metragem; eu fui pelas sinopses e pelos trailers, e esse é o resultado.


Melhor Animação em Curta Metragem
  • Dia e Noite,
    Estados Unidos
    , 6'
  • Urs, Alemanha, 10'
    ..........
    The Lost Thing
    , Austrália/Inglaterra, 15'
  • The Cow who Wanted to Be a Hamburger,
    Estados Unidos
    , 6'
    ..........
    Let's Pollute
    ,
    Estados Unidos
    , 6'
  • The Gruffalo, Inglaterra/Alemanha, 27'
  • Le Silence sous l'écore, França, 11'
    ..........
    Madagascar, carnet the voyage
    , França, 11'
Os outros pré-indicados:
The Lost Thing, Austrália/Inglaterra, 15'
Let's Pollute,
Estados Unidos
, 6'
Sensology,
Estados Unidos
, 6'
Madagascar, carnet the voyage, França, 11'
Coyotte Falls,
Estados Unidos
, 3'

◊ Resultado: 2/5


Melhor Documentário em Curta Metragem
  • Killing in the Name, Estados Unidos, 39'
  • Born Sweet, Camboja, 25'
    ..........
    The Warriors of Qiugang
    ,
    Estados Unidos, 39'
  • Strangers no More, Estados Unidos, 40'
  • Sun Come Up, Estados Unidos/Papua Nova Guiné, 38'
  • Living for 32, Estados Unidos/França, 40'
    ..........
    Poster Girl
    ,
    Estados Unidos, 38'
Os outros pré-indicados:
The Warriors of Qiugang,
Estados Unidos, 39'
One Thousand Pictures: RFK's Last Journey, Estados Unidos/Inglaterra
Poster Girl,
Estados Unidos, 38'

◊ Resultado: 3/5

Resultado final das apostas: 91/120


Dois casais dividem uma mesa num restaurante. Um deles, John (Russell Crowe) e Lara Brennan (Elizabeth Banks). Uma discussão entre as duas mulheres se inicia, e é impulsionada pelos problemas que Lara está tendo com sua chefe. A conversa vai ficando cada vez mais agressiva, avança para uma quase agressão, e então todos acabam indo embora. Na manhã seguinte, em casa, o casal Brennan se prepara para sair para o trabalho: o filho e o pai tomam o café da manhã; Lara, diabética, injeta sua dose de insulina; a família tira uma foto com todos juntos ("só até ele fazer 18 anos", diz a mãe, referindo-se ao filho). Então Lara pega seu casaco e encontra-o com uma mancha de sangue; preocupada, vai ao banheiro lavá-lo e, como só no Cinema acontece, no mesmo instante a polícia invade a residência e a leva presa, sob acusação de ter matado a sua chefe.

"Os próximos três anos", o filme informa, indicando um salto de tempo na narrativa. Vemos então as visitas de John a Lara na prisão nesse ínterim, sempre informando que as ações judiciais para tirá-la de lá não dão resultado. Nessa situação, e vendo que seu filho adquiriu um justificável distanciamento da mãe e vem se saindo mal na escola, o personagem de Crowe parte para uma medida drástica.

Paul Haggis é um grande cineasta. Sua carreira iniciou na tevê, abrangendo as décadas de 80 e 90 como roteirista e diretor de trabalhos para esse meio. No Cinema, começou a ganhar destaque com o excepcional Crash: No Limite, ao que se seguiram ótimos textos que incluem os de Menina de Ouro e 007: Cassino Royale, para citar filmes que ele não dirigiu. 72 Horas é sua quarta incursão como diretor e foi adaptado por Haggis como uma refilmagem do francês Tudo por Ela, de 2008.

Aqui, ele consegue criar tensão e drama com uma história que tem pé no inverossímil, tão bem arranjados são o roteiro e a direção. Há quem acuse o filme de problemas de ritmo, já que ele é dividido em duas partes bem distintas, e de duração semelhante: até a metade da metragem, Haggis se concentra em contar a história daquela família, com toda a calma que lhe é devida, e apresentar os personagens, acompanhando os esforços de John para com a esposa e com o filho; no segundo momento ("os próximos 3 dias", ou as "72 horas" do título nacional), o diretor parte para a ação, em sequências tensas e muito bem conduzidas. Essa estrutura se mostra essencial, já que é difícil imaginar outra montagem que tenha melhor êxito para a narrativa em questão.

A trama certamente foge à realidade ao tentar convencer os espectadores de que John Brennan é capaz de tudo aquilo que o filme mostra, mas então se tem a excelente atuação de Russell Crowe, que compõe um personagem que cria grande identificação com o público e minimiza os exageros do texto. Mas Haggis não lança seu olhar apenas para o protagonista, e, sempre evitando as certezas, acompanha com considerável atenção outros personagens e seus pontos de vista, o que dá maior credibilidade à história.

Enfim, à despeito de soar forçado em alguns momentos, o resultado final é um filme envolvente e interessante (e sua última cena, linda), sem maiores pretensões, mas muito bem construído na convergência de roteiro e direção eficientes, belas atuações e montagem e trilha sonora ótimas. Mais um acerto de Paul Haggis.


72 Horas (The Next Three Days), 2010, Estados Unidos/França, 122 minutos.

Cotação: 7/10

Iniciando 2011 com o Prêmio Dardos

O Observatório do Cinema ainda não tem 1 ano, mas já foi reconhecido pelo colega Luis Galvão, do blog Galvanismo e Arte Fluida, com o Prêmio Dardos.


"O Prêmio Dardos é um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."

Certamente esse selo representa um grande incentivo para o Observatório, e honrados agradecemos ao Luis e também aos leitores desse espaço. O prêmio foi criado por um escritor (e blogueiro) espanhol, que deixou como regras aos que recebem o selo:

# Exibir a imagem do selo no seu blog.
# Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.
# Escolher outros blogs para receber o selo.
# Avisar os escolhidos.

Sendo assim, indicamos os seguintes (que, esperamos, ainda não tenham o selo):

# Bruno Cava, Quadrado dos Loucos
# Louis Vidovix, Louis Tells It Like It Is
# Matheus Pannebecker, Cinema e Argumento
# Renato Silveira, Cinematório
# Weiner Gomes, O Brado Retumbante!

Os autores do Observatório do Cinema aproveitam a oportunidade para desejar a todos grandes emoções cinematográficas em 2011.

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