Cinema: "Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas"


Franquia bilionária, Piratas do Caribe alcançou grande sucesso na última década ao trazer para o Cinema uma combinação um tanto peculiar, envolvendo piratas, humor e bastante ação. Johnny Depp integrou mais um personagem atípico à seu histórico de interpretações, e seu Jack Sparrow tornou-se um ícone. No entanto, muito do êxito da série deveu-se à consistente direção de Gore Verbinski, que coordenou uma trilogia de proporções épicas sem maiores problemas, imprimindo-lhe ousadia, criatividade e um verdadeiro senso de aventura. Decepcionante é ver, então, que o principal equívoco deste novo Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas resida justamente em seu diretor, Rob Marshall.

Com modificações que pretendem transformar este episódio num novo início para a franquia, Navegando em Águas Misteriosas falta com o ritmo, com o humor e com os seus personagens, revelando uma combinação sintomática de maus roteiro, montagem e direção. A trama, tão compatível com a ideia de aventura, não atrai; as piadas, criadas e interpretadas sem qualquer inspiração, soam inconvenientes à narrativa; e a história, que revela e descarta elementos à sua vontade, segue linhas previsíveis. Ao elenco se juntam Penélope Cruz e Ian McShane, mas que só fazem constranger, num lamentável desperdício de talentos que abrange também o próprio Depp e o tão divertido Geoffrey Rush, que aqui destoa com tanto exagero.

Na função de conduzir a ação e ordenar os elementos narrativos, Marshall entrega um trabalho sem brilho, sem perícia, redundante e cansativo. O que a trilogia de Verbinski tinha de interessante, aqui se perde: as batalhas e confrontos entre os personagens não envolvem, normalmente se fazendo notar o trabalho dos dublês, o que sempre tira credibilidade do que é mostrado, e especialmente desaparecem toda a violência e tensão que, mesmo amenizadas nos filmes anteriores, eram tão necessárias ao tom de perigo e seriedade das cenas. O único momento em que Marshall se atreve a tanto é quando, já lá no final, o vilão aparece se deteriorando e aponta sua mão esquelética à tela, numa ótima composição de efeitos visuais que evoca todo esse clima de temor — o qual, afinal, adicionaria tanto à Navegando em Águas Misteriosas, além de fazer jus a seu título.

Continuando o trabalho formidável nas composições musicais da série desde que assumiu o posto no lugar de Klaus Badelt (de A Maldição do Pérola Negra), dessa vez Hans Zimmer se associa com a dupla de violonistas mexicanos Rodrigo y Gabriela e apresenta uma trilha vibrante e original, à qual o filme nunca corresponde. E tampouco corresponde à arrecadação estrondosa (impulsionada pelo valor dos ingressos das sessões em 3D), que o coloca na oitava posição entre as maiores bilheterias de todos os tempos. Todo esse dinheiro certamente assegurará a produção de mais continuações, mas, a não ser que ocorra alguma reinvenção na franquia, Piratas do Caribe seguirá o curso daquelas que poluem os cinemas todos anos e que pouco lembram o ânimo de suas origens.


Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides), 2011, Estados Unidos, 136 minutos.

Cotação: 4/10


3 comentários:

Mayara Bastos disse...

Ainda não vi, mas acho que a série não precisava de outro filme, ainda mais dirigido pelo Rob Marshall. Não sei, posso me surpreender. rsrs.

alan raspante disse...

Então, estava pra rever a saga, mas e a preguiça? rs
Não sou muito fã, portanto nem tenho pressa em conferir nenhum dos filmes. Que dirá este último.

Abs ;)

José Francisco disse...

Sinceramente, consegui me divertir bem. Como eu disse, não mudou minha vida, mas me deixou contentinho...
Abs.

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