Cinema: "Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles"


Não deixa de ser irônico que, tendo sido realizado (e distribuído nas salas que suportam o formato) com a técnica de maior resolução de exibição disponível no momento, Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles seja um filme que talvez não permita ao público apreciar tal qualidade. Afinal, aparentemente inspirando-se no péssimo Armageddon, aqui é difícil encontrar planos estáticos ou que durem mais de alguns décimos de segundo, funcionando tanto no sentido de nausear os espectadores quanto de esconder os frágeis e desinteressantes efeitos visuais (eufemismo).

A narrativa abre com um panorama de Los Angeles em meio ao caos da destruição, e para onde se dirigem inúmeros helicópteros e outros equipamentos de guerra. Ao fundo ouve-se uma frase sobre "não abandonar a cidade", e logo então entra um flashback — que, mostrando os acontecimentos das 24 horas anteriores, ocupará quase toda a metragem restante da produção.

Então a tragédia começa (e aqui dá para interpretar da forma que quiser). Os soldados que irão fazer parte do grupo que a história acompanha são apresentados. E, novidade, é o típico batalhão heterogêneo lugar-comum dos filmes do gênero. Há os latinos, os asiáticos e os afro-americanos religiosos e com sotaque carregadíssimo (e daí se moram nos Estados Unidos?); o que vai para a batalha às vésperas do casamento; e o comandante que, logo após dispensado, é readmitido para sua última tarefa — e, claro, mais tarde aparecerá também a mulher durona entre eles, que pode ser considerada um clichê duplo visto a atriz que a interpreta.

O grupo se estabelece e é largado em meio a explosões e objetos flamejantes que caem do céu, e que eles (e o público que não leu nem viu nada sobre o filme) a princípio não fazem ideia do que sejam. A narrativa se limita a acompanhá-los de lado a outro enquanto lançam vez por outra não mais que frases imperativas (porque desenvolvimento de qualquer coisa não há aqui). Mas isso é uma tarefa árdua, acompanhar trama tão rasa: a câmera balança tanto e a montagem é tão desesperada a ponto de nada fazer sentido na tela.

E, além disso, em meio à propaganda militar escancarada, às vezes surgem dramas risíveis, tão deslocados e implausíveis que é difícil se envolver. Aliás, esperar trabalhos técnicos decentes de projetos que dispõem de tanta tecnologia a seu favor a fim de se criarem as condições mais verossímeis possíveis também parece ser demais: ou como explicar a edição sonora desatenciosa em que mal se ouve o som das hélices dos helicópteros? Há inclusive uma cena em que aparecem dois personagens gritando dentro da aeronave sem motivo para tanto, já que não há som de fundo alto o suficiente para justificar a atitude durante uma conversa.

Absolutamente desnecessário em qualquer escopo a que se propõe, técnica e narrativamente pobre, cansativo e esquecível, Batalha de Los Angeles é daqueles filmes para se colocar entre os piores nas listas de fim de ano. Batalha mesmo, isso sim, é aturá-lo até o final.


Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles (Battle: Los Angeles), 2011, Estados Unidos, 116 minutos

Cotação: 1/10


15 comentários:

Rodrigo disse...

Não dá pra esperar mais do que isso. Talvez veja, mas sem nenhuma epectativa. Abraços.

Adecio Moreira Jr. disse...

Hahahaaha.. "Batalha mesmo, isso sim, é aturá-lo até o final."

Nem sei porque fico concordando com as duras críticas, porque eu nem sequer assisti. Mas analisando o que você escreveu... não tem como ser no mínimo assistível.

Mas parece ser filme de macho. Ou seja, público alvo ele tem.

^^

Gustavo disse...

Jesus... :-(

Dr Johnny Strangelove disse...

Talvez a maior frustração não é dele ser um filme fraco. Mas sim pela questão de conseguir desperdicar de uma maneira quase épica a questão da veia da temática da ficção cientifica.

Toda invasão é terrivelmente mal explorada fazendo o espectador refém para seu verdadeiro propósito: filme de ação que como foi citado em um comentário acima, extremamente destinado a um público alvo.

Abraços.

Daniel Isaia disse...

Eu sou louco por filmes de ficção científica.
Ainda não vi esse aí, mas já fiquei frustrado... estava louco pra assistir um bom filme sobre alienígenas!
Grande abraço!

Marcus Cramer disse...

Também achei o filme um lixo, pra mim não funciona pra ninguém. E olha que fui ver com a expectativa lá embaixo.

Muito legal o seu espaço. E obrigado pela visita e pelos comentários.

Mayara Bastos disse...

Parecia ter uma premissa boa, acho que deixarei para DVD. ;)

Robson Saldanha disse...

Eu vou contra a maré e achie um filme interessante que, logicamente, tem seus defeitos mas atinge um propósito interessante e, dentro da temática, é um dos mais me agradou. O roteiro é o maior forte, enquanto que a fotografia e montagem, como vc mesmo falou, são de uma fraqueza preocupante.

Kamila disse...

De um filme como esse, você não pode querer esperar roteiro profundo, personagens bem construídos. Filmes catástrofes se apoiam num conflito que se segure bem pelo filme inteiro. Por mais que eu ache que "Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles" se prolonga demais, é fato e não podemos negar que ele contém todos os elementos que agradam os fãs desse gênero e desse tipo de filme. E você não pode pedir mais que isso!

Mateus Selle Denardin disse...

Não engulo esse 'argumento' de que não se pode pedir mais de um filme. Como consumidor consciente e exigente do Cinema, irei sempre querer (não esperar, mas querer) que uma obra consiga entreter (ou ser 'assistível' ao) espectador durante a sua metragem. Quando já se mostrou ser possível, de qualquer origem (ano, nacionalidade, orçamento, etc.), conceber projetos originais, envolventes e inteligentes, BATALHA DE LOS ANGELES merece, sim, ser criticado. E digo isso sendo profundo admirador dos gêneros de guerra, de ação e de ficção científica. Poderia citar vários filmes que são incrivelmente melhores que essa porcaria em qualquer aspecto, mas isso não é necessário. Uma obra cuja montagem não deixa o público acompanhar a ação e que não cria situação alguma minimamente interessante não receberá minha complacência. Claro que questões de envolvimento com a história e de apreço por certa estética visual (nesse caso, masoquismo) são de âmbito mais pessoal, mas aqui estou apenas reafirmando minha posição.

bastidoores disse...

"Considerada um clichê duplo visto a atriz que a interpreta.". Sábias palavras, meu caro...
Já cansei de Michelle "Marine" Rodriguez.
Concordo plenamente em exigir obras de qualidade, afinal é o nosso dinheiro que investe as sequencias destas porcarias.

Cine Mosaico disse...

Mais um para colocar na minha lista de "não verei no cinema"
Mas, aposto que esse não consegue ser pior que "Skyline", o
pior filme sobre esse tema.

:: João Linno ::

bruno knott disse...

Uma certa curiosidade masoquista está me empurrando para ver no cinema. O excesso de clichês no quesito personagens parece ser impressionante. Vou verificar.

Abraços.

Otavio Almeida disse...

Tem alta resolução e o escambau, mas não dá pra ver quase nada que aparece na tela. E a gente ainda paga pra ir ao cinema...

Abs!

Ana Luiza disse...

"clichê duplo visto a atriz que a interpreta"
uhaushuahsuhaushaus
Só vc mesmo, com suas piadas.
Mas falando sério agora. É, o filme tem alguns erros técnicos (tipo essa coisa da câmera, do som). Mas não é lá péssimo. Claro, não é um "grande" filme etc e tal.
Gosto de filmes com ficção científica e com frases q motivam as pessoas... por mais que às vezes elas são clichês. Se no caso fica legal colocar esses "clichês", então tá. E é o caso desse filme.

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