Cinema: "Burlesque"


Burlesque se une ao grupo de musicais que escala cantores de verdade para o seu elenco, seja como forma tanto de evitar a preparação de atores para os seus números de canto (e escapar de constrangimentos como Pierce Brosnan em Mamma Mia!) quanto, claro, de atrair mais atenção do público ao trazer estrelas da Música para a sala de cinema. No filme que marca a estreia na direção do ator Steve Antin (também responsável pelo roteiro), o que reinam são os lugares comuns — todos os possíveis —, que, somados a canções pouco interessantes e vazias (uma ou outra se destaca), resultam em uma obra que nunca consegue aqueles verdadeiros momentos de catarse emocional ou deslumbre visual que os grandes títulos do gênero ofereceram.

A narrativa começa com uma brevíssima contextualização da protagonista: Ali (Christina Aguilera, em seu primeiro papel no Cinema) é uma jovem que trabalha num bar numa cidade do interior dos Estados Unidos e que decide, certa de suas habilidades musicais natas, abandonar seu emprego e sua vida sem perspectivas e partir para Los Angeles. É uma introdução tão direta que chega a parecer uma abordagem rasteira, mas há de se elogiar a direção nesse sentido: não há qualquer confronto de Ali com o patrão ou uma situação de extremo infortúnio que praticamente a obrigue a ir para a cidade grande; ela já aparece em cena decidida, e a fotografia tem grande papel em escancarar a tristeza e abandono do local. Mas se o filme exibe tamanha economia narrativa nessa sequência, é porque quase duas horas de clichês intermináveis estão por se seguir.

Ironicamente, em Los Angeles, ela eventualmente acaba indo trabalhar como garçonete na casa de apresentações burlescas que dá título ao filme. A responsável pela boate, Tess (Cher), está cheia de dívidas, mas recusa-se a vender o espaço — de que o ex-marido (Peter Gallagher) é metade dono — ao magnata Marcus (Eric Dane), que, ela só saberá mais tarde, pretende construir um enorme residencial no local. Já Ali quer é mesmo poder participar das apresentações do lugar, mas é constantemente desprezada por Tess em suas tentativas. Certo dia, porém, num ensaio para novas dançarinas, ela consegue uma chance, impressiona e acaba entrando no grupo. Obviamente, ela afinal vai ajudar a salvar o espaço, não sem antes passar por intrigas com outras garotas, supostos conflitos de interesses e um romance insosso com o bartender (também compositor) interpretado por Cam Gigandet.

Antin acompanha muitos momentos com a câmera balançando em excesso e sem motivo; as escolhas de fotografia tendem fortemente à artificialidade, mas plasticamente oferencendo alguns belos planos; os figurinos são criativos e se encaixam bem nas canções e nas coreografias; certas sequências musicais guardam algum ânimo, mas no geral não são muito envolventes (trazendo inclusive referências a Chicago e Cabaret). Mas é realmente a trama frágil e apoiada em atuações — em sua maioria — igualmente fracas que relega o filme ao esquecimento. No entanto, Burlesque, mesmo em sua futilidade, é uma obra inofensiva. Que se vê e, não raro, sente-se indiferença.


Burlesque, 2010, Estados Unidos, 119 minutos

Cotação: 4/10


8 comentários:

Rodrigo disse...

Vale pelo vozeirão de Aguilera e pela canção You Haven't Seen the Last of Me. Só. O resto é totalmente descartável(ok, exceto o figurino). Abraços.

Alan Raspante disse...

Ah, valeu pra mim como entretenimento. Não esperava um grande filme mesmo, rs
Abs.

Raphael Camacho - @vassilizai disse...

Odiei Burlesque. Tudo deu errado pra mim nesse filme.
Abs aos meus amigos cinéfilos Mateus e Flavia!

Natalia disse...

Não fiquei curiosa em ver esse filme. Eu particularmente ODEIO a Cher como atriz, rs. Aguilera então, acho que nem como cantora eu gosto, rs.

Gosto mto da temática, mas já imaginava que o filme fosse fraco... pena né.

Abs!

Kamila disse...

Boa crítica! Você já leu minha opinião e sabe o que eu penso a respeito da obra. Acho que falta identidade a ela e o filme é uma colagem de diversas coisas que a gente já viu nesse gênero.

cleber eldridge disse...

Não espero grande coisa desse filme, assisto assim que sair em dvd.

Pedro Fiuza disse...

Cara, eu tenho medo da Cher.

E outra coisa que pensei foi que um dos clichês de musicais é contextualizar a obra num ambiente aonde se canta e dança, de boemia, etc, aonde haverá aquele personagem (quase sempre o protagonista) que antes era bartender, garçonete, faxineira, e ganha uma oportunidade única.

Recentemente vi algo semelhante, mas de melhor qualidade (acho, já que não vi Burlesque): Paris 36. É mediano, mas tem umas músicas que grudam - o que achei um ponto positivo.

Aí lembro de outro francês, o Canções do Amor, que foge dessa temática e pra mim é genial!

Jonathan Nunes disse...

Esse foi um filme claramente feito para os fãs de aguilera e cher, chato, cansativo, e cliché resume bem o longa. De todos do elenco o único que ainda casegue se salvar é o Tucci.

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