Cinema: "A Morte e Vida de Charlie"


Charlie St. Cloud (Zac Efron) mora numa cidade litorânea dos Estados Unidos com o irmão, Sam (Charlie Tahan), e a mãe, Claire (Kim Basinger). Ele é um excelente velejador e está prestes a se mudar para estudar o esporte em Stanford, onde conseguiu uma bolsa. Certo dia, a mãe precisa trabalhar um turno extra no hospital e deixa o garoto tomando conta do irmão mais novo. Charlie tinha uma festa marcada para aquela noite e, quando tenta escapar de casa, o irmão o surpreende e acaba sendo levado junto. No percurso, eles sofrem um grave acidente de carro, que acaba causando a morte de Sam. A Charlie quase é reservado o mesmo destino, mas ele sobrevive ao ser ressuscitado por desfibrilação.

Totalmente abalado pela perda, Charlie acaba descobrindo que pode se comunicar com o irmão morto. Não, mais que isso: eles podem interagir um com o outro. Talvez essa capacidade tenha surgido pelo contato com a morte, ou talvez pela promessa não finalizada, de que Charlie treinaria beisebol todos os dias, no final da tarde, com o irmão — o filme não se preocupa em esclarecer essa questão.

Cinco anos se passaram. Charlie trancou a faculdade e vive como ajudante no cemitério da cidade. E todas as tardes se encontra com irmão. Eventualmente também conversa com um antigo amigo de colégio que foi à guerra e lá morreu. Mas também gasta bastante de seu tempo tentando afugentar os gansos que ali vivem e estragam as lápides. Enfim, suas decisões e ações acabaram fazendo-o ser conhecido como o estranho, o alienado do povoado.

Numa ocasião, ele acaba reencontrando uma ex-colega (Amanda Crew) que voltou à cidade e está prestes a dar a volta no globo em seu barco à vela. Eles trocam algumas palavras, meio tímidos, e pouco acontece. A partir de então, se toda essa bagunça narrativa não fosse suficiente, o filme começa a seguir rumos semelhantes aos da trama de O Invisível, filme de 2007 com Justin Chatwin.

A Morte e Vida de Charlie poderia ter sido melhor do que é. A direção é de Burr Steers, que já havia trabalhado com Zac Efron no simpático 17 Outra Vez. Aqui ele não tem muito o que fazer com o confuso roteiro, que falha em todas as linhas que aborda. Como já mencionado, o filme não dá maiores explicações à causa dessa capacidade de interação de Charlie com os mortos, e também pouco define a natureza desse seu "poder". São pontos que até poderiam ser relevados caso não pesassem tanto na questão dramática do personagem.

Zac Efron abandonou o papel na refilmagem de Footloose antes de aceitar participar deste filme. Como Charlie, o ator demonstra a segurança que vem exibindo em seus trabalhos mais recentes, com uma ótima presença em cena e considerável densidade de sentimentos — e tendo em vista que seu personagem é tão mal elaborado, os elogios não precisam ser disfarçados. Charlie Tahan, que faz o irmão mais novo, está igualmente bem, e seus momentos com Efron representam os melhores da projeção, mostrando uma afinidade genuína. O mesmo não se pode dizer de Amanda Crew, que está tão deslocada quanto é frágil sua personagem. Já Kim Basinger e Ray Liotta (o médico religioso que salvou Charlie) pouco fazem com seu curto tempo em cena.

Fosse o texto mais conciso e melhor desenvolvido, até se poderia ter uma boa história de segundas chances, de superar a culpa e seguir a vida. Como está, no entanto, o filme representa apenas um desperdício de talento. De um ator que promete, mas que ainda não recebeu o papel que lhe fará despontar.


A Morte e Vida de Charlie (Charlie St. Cloud), 2010, Estados Unidos/Canadá, 99 minutos.

Cotação: 3/10


8 comentários:

Victor Nassar disse...

Zac Efron não me convence como ator ainda. E aparentemente esta é o tipo de história densa e sensível, que precisam de um diretor competente e roteiro bem desenvolvido. O que não foi o caso, pela sua crítica. Já era dispensável antes de assistir, agora com as críticas negativas então, devo mesmo passar longe.

Abs!

Alan Raspante disse...

Não vou negar que tenho preguiça com Zac Efron, assisti dois filmes com o ator e bem, odiei os dois! Mas acho válido o esforço dele para se mostrar bom ator, mas o problema está justamente neste ponto. Zac, ainda não consiguiu um trabalho com maior visibilidade ou algo que realmente demonstre talento. A impressão que dá é que até hollywood tem preguiça com ele, rs

Enfim, quando sair em DVD talvez eu confira...
Abs;

cleber eldridge disse...

O que o Zac tem de bonito, ele tem de péssimo ator!

Weiner disse...

Curioso que a premissa de A Morte e Vida de Charlie me chamou bastante atenção - ainda que meio forçada. Porém, essa de meter uma garota do passado na vida do personagem de Efron, a ponto de "obrigá-lo" a escolher entre o irmão morto e um amor pra toda a vida me soou pedante demais... Tipo, "acorde, garoto, você ainda está vivo". Já não se viu este chororô milhões de vezes?

Mateus Selle Denardin disse...

Exato, Weiner. Eu nem comentei esse ponto no texto porque achei que seria revelar demais, mas se a sinopse já diz isso (ou você viu o filme?), então ficou faltando mesmo. Mas o que mais me incomodou foi essa indecisão do roteiro (problema que deve vir do romance de que é adaptado) quanto ao desenvolvimento do personagem de Zac Efron, o que considero que enfraqueceu a história mais do que os clichês habituais permitiam.

Ana Luiza disse...

Não vou com a cara do Zac Efron. Ele parece fraco e sem talento.
Se vc falou que tem essas brechas de roteiro, então não deve ser bom mesmo(eu levo MUITO em conta o roteiro num filme). E pra variar... enfiar um romance numa história onde não é esse o foco?Pffffff.
Pegue por exemplo "O Orfanato", filme que acabei de assistir hoje. Incrível(embora não tanto quanto O Labirinto do Fauno). Tem essa questão de "comunicação com o além" também na trama. Mas ascontece que o filme não sai da linha principal do início ao fim. Isso que é roteiro.
Você falando e levando em grande consideração um roteiro de um filme? Nossa, parece novidade para mim... heheh! ;) . Talvez eu parei de acompanhar a sua evolução no cinema... hehe. Parabéns pela postagem. Muito boa. Vejo que você evoluiu muito ( e parece que aprendeu a fazer sinopses comigo, caham! )

Mateus Selle Denardin disse...

Ana, eu sempre levo os roteiros dos filmes em consideração. Se nesse texto eu me detive mais nesse ponto, é porque considerei ele o principal problema da obra. O romance em A MORTE E VIDA DE CHARLIE é necessário para os propósitos da trama, mas tudo foi tão mal trabalhado que não tem como funcionar. E dizer que Zac Efron "parece fraco e sem talento" é um preconceito seu: suas atuações recentes provam o contrário. Sobre O ORFANATO, lembro-me de ter achado bonzinho, apenas.

Obrigado pelo comentário, fazia tempo que você não aparecia aqui!

Luana Monteiro disse...

Eu acho que voceis estão todos errados, não precisa falar mal de Zac Efron, por que ele é um ótimo ator e esse filme ele fes perfeito e bem interpretado. Deve ser que voceis não viram o filme, primeiro ve o filme e depois comenta, por que comentar bobagem nem precisa escrever por que a bobagem já é voceis e o que voceis escrevem.
Então deixo uma coisa: escrevem coisas melhores do filme do que escrever besteirinhas, por que o filme é muuuuuuuuuuito bom e bem interessante.

Tchau para todos os feios que escreveram mal sobre o filme.

Postar um comentário

top