Cinema: "Minhas Mães e Meu Pai"



Como apresentar a temática gay em um filme sem causar estranheza a boa parte do público? Minhas Mães e Meu Pai parece ter uma resposta bem democrática para essa pergunta: basta inserir um contexto familiar aconchegante, juntamente com uma pitada de bom humor. Minhas Mães e Meu Pai apresenta uma família homossexual tão presa ao cotidiano quanto uma família heterossexual, e é aí que se constrói uma base perfeita para trabalhar com as fraquezas dessa relação.

A diretora Lisa Cholodenko, a qual demonstra experiência com as relações homossexuais femininas (como em High Art), conduz o longa de forma tão natural que os beijos trocados entre Julianne Moore e Annette Bening fazem-nos recordar da época apaixonada de nossos próprios pais. Talvez porque a diretora deixe clara a relação "macho/fêmea" entre as duas protagonistas. Bening antecipa-se como uma mãe dominante, rigorosa, desconfiada e provedora principal do sustento da família. Moore demonstra seu carisma sendo uma mãe de coração aberto, compreensiva e espontânea.

Já não bastasse a completude advinda desses dois papéis, surge o doador de esperma dos filhos adolescentes do casal gay para desestabilizar essa relação tão equilibrada. Mark Ruffalo atua de forma satisfatória na medida em que aprofunda sua relação com os filhos interpretados por Mia Wasikowska e Josh Hutcherson, porém, nada que justifique sua indicação ao Oscar. Enquanto Bening demonstra seriedade em seu personagem, Moore permanece soberba, interpretando uma mulher de energia acumulada e levemente inconsequente. Mia Wasikowska supera as expectativas e encara seu papel com solidez, conseguindo externalizar uma adolescente com crises de responsabilidade.

Principalmente, Minhas Mães e Meu Pai sobressai-se quando mostra, mesmo que de forma superficial, a quebra de paradigmas em relação às dicotomias sexuais, mostrando que heterossexuais e homossexuais não deixarão de ser o que são se possuírem experiências fora da sua orientação sexual. A sexualidade é um complexo de comportamentos, e não se pode caracterizar tudo o que foge do padrão como uma disfunção ou desvio sexual. Tal tabu evidencia-se em alguns diálogos do personagem de Mark Rufallo, o qual, propositadamente, figura como "o alternativão" da trama.

Com uma química invejável, Moore e Bening dão um toque diferencial às famosas histórias de família, tão corriqueiras na sétima arte. O enredo de Minhas Mães e Meu Pai nos cativa na medida que avança para um final o qual já projetamos de antemão, graças a velha utopia de que o amor sempre prevalece. Fazendo um panorama de uma família moderna, demonstrando os obstáculos da dura tarefa da criação dos filhos, passeando entre o fazer, o não fazer e as suas consequências, Minhas Mães e Meu Pai é um filme que consegue trabalhar com todas essas fragilidades vivenciais, sem cair na normalidade cinematográfica.


Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right), 2010, Estados Unidos, 106 minutos.

Cotação: 7/10 


10 comentários:

Mayara Bastos disse...

O filme tem méritos mesmo pelo elenco, o roteiro tem suas intenções, mas também achei meio superficial. Annette está bem, mas nada demais. Julianne está melhor. ;)

Luis Galvão disse...

Também não sou muito fã do filme. Tenta forçar um coisa meio feminista demais, sei lá. Gostei não, só da Moore, né?

Matheus Pannebecker disse...

Assisti a esse filme logo quando ele entrou em cartaz lá no mês de novembro, longe dessa badalação toda... E já na época achei que o filme era previsível e com pouco a dizer... O que existe de aproveitável é o ÓTIMO elenco. ps: sou mais um que considera a Julianne Moore melhor que a Annette Bening!

Flávia Hardt Schreiner disse...

Sou suspeita para falar, adoro a Julianne Moore! Acredito que ela se destaca mais que Bening, tanto pela interpretação, quanto pela própria exigência do roteiro.

cleber eldridge disse...

O filme é uma delicia, até o momento um dos melhores filmes de 2010, muito bem escrito e com um elenco excelente ;D

Victor Nassar disse...

Concordo com você.

É um bom filme, mas na categoria de "legalzinho". Acho exagerada todo esse reconhecimento da crítica em cima dele e principalmente do Mark Ruffalo, que só faz o básico.

Ainda acho que o filme tenta se sustentar na premissa básica de ser um casal feminino. Parece até meio didático, como uma tentativa de mostrar à sociedade que isso pode existir tranquilamente e que não há razões pra preconceito.

Abs!!

Nilson Jr. disse...

Gosto do filme. Engraçano na medida e agradável. Mas concorrer a melhor filme? Melhor roteiro? Justo um roteiro que coloca uma traição que é o clichê dos clichês como força motriz? Não merecia.
Amo Moore, mas acho que o filme exalta mais a atuação de Benning.

Mas por conta desses exageros acabamos pegando antipatia pelo filme, o que não é justo. Como disse, gosto bastante dele, como falo no meu texto.
http://papocinefilo.blogspot.com/2010/11/minhas-maes-e-meu-pai.html

Foose disse...

Sou fã de Julianne e Annette e suspeito para falar, mas elas estão perfeitas em cena. E ainda de quebra o filme conta com a presença sempre competente de Mark Ruffalo. O roteiro é atual e divertido, e com uma bela direção de Cholodenko, o longa fica longe de ser cansativo. Um bela dica para quem quer curtir 106 min de belas atuações em uma historia seria tratada de forma leve e divertida!

Parabéns pelo Blog... ta show!:-) Gostei da forma com que você escreve... fatalmente já estou lhe seguindo e estarei sempre aqui!

Muito obrigado por seguir a Sétima Art. Bem vindo a nossa comunidade de amantes do maravilhoso mundo do cinema. Esperamos que você sempre encontre algo interessante lá para ver. Sua visita será sempre bem vinda e aguardada.

Foi um prazer lhe conhecer, fique com Deus e um grande abraço...

Anônimo disse...

Gostei bastante. Um excelente trabalho do elenco.

Minha humilde resenha:

http://cinemagia.wordpress.com/2011/01/21/resenhas-minhas-maes-e-meu-pai/

Um abraço
Tommy

Anônimo disse...

Todos voces sao rideculos nao sabem o que e atuaçao! Bening e a melhor coissa do filme e moore nunca atuou bem principalmente em As Horas!

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