Cinema: "Resident Evil 4: Recomeço"


Ao ser lançado em 1996, o jogo Biohazard (posteriormente Resident Evil) foi um grande sucesso de público e acabou popularizando o subgênero survival horror e as histórias de zumbis. Bastante inspirado nos filmes do gênero de George A. Romero, o jogo iniciou uma franquia que continua ainda hoje, estendendo-se a publicações e a uma série de filmes, entre outros produtos. O próprio Romero estava trabalhando para levar a história às telas, mas acabou se desligando do projeto devido a diferenças criativas. O posto foi assumido, então, pelo péssimo Paul W. S. Anderson, que levou a produção adiante, na função de diretor, roteirista e produtor. Resident Evil: O Hóspede Maldito teve mais três sequências (todas escritas e produzidas por Anderson), na última das quais o diretor também voltou ao comando atrás das câmeras. O que rendeu este Resident Evil 4: Recomeço.

Esse quarto filme segue a insossa história dos anteriores (ou seria melhor dizer: "repete a história dos anteriores", já que não insere nada de realmente importante no que foi visto até então), a qual não merece ser lembrada. Basta dizer que Anderson dá continuidade a uma série que, a cada capítulo, fica mais ridícula e insuportável (desnecessária ela é desde o segundo filme). São frases constrangedoramente expositivas, quando não simplesmente idiotas; e situações estúpidas que fazem jus ao nível dos diálogos e que servem apenas para gastar tempo e justificar mais um longa metragem.

Na direção, Anderson, sempre de forma infeliz, abusa das câmeras lentas e opta por uma edição sonora que parece usar como base um som metálico estridente que fere os ouvidos dos espectadores. Se já não fosse o bastante, a trilha sonora segue a mesma cartilha e completa a sessão de tortura. Confirmando ser consistente em sua incompetência, o diretor não consegue conceber sequer uma sequência de ação minimamente interessante — e aquela que se passa num banheiro e envolve uma das mocinhas e um zumbi grandalhão é a prova de que o diretor deveria ser proibido de continuar no ramo cinematográfico. Tudo bem, deve-se admitir que há um momento que até funciona razoavelmente, quando a protagonista Alice, após saltar de um prédio por um cabo, cai em meio a vários zumbis e — sempre acompanhada em câmera lenta, claro — começa a abrir caminho entre eles, demonstrando todo seu vasto repertório de habilidades letais.

Das atuações, vale mencionar Milla Jovovich (mulher do diretor, aliás), que acerta na sua composição que contrapõe a voz baixa e rouca com suas competências de heroína de ação (enfim, só isso); e na ótima presença de Wentworth Miller, que curiosamente interpreta um papel que divide grandes semelhanças com seu personagem na série
Prison Break. As demais performances ou são irregulares e limitadas pelo péssimo roteiro — a de Ali Larter, por exemplo —, ou são realmente fruto de atores medíocres, como Shawn Roberts, que interpreta o risível (para dizer o mínimo) vilão.

Tentando prolongar o improlongável (e já aproveitando para deixar um gancho para uma continuação), o diretor ainda insere uma cena boba durante os créditos, e uma fala mais boba ainda ao fim do filme (a qual, aliás, está presente no trailer). Que essa produção é um atestado de que
Resident Evil é uma série cada vez mais decadente e repetitiva, não há dúvida. Basta apenas que o produtor Paul W. S. Anderson perceba isso.


Resident Evil 4: Recomeço (Resident Evil: Afterlife), 2010, Estados Unidos, 97 minutos.

Cotação: zero/10


4 comentários:

Mateus Selle Denardin disse...

Não fosse OS VAMPIROS QUE SE MORDAM o fiasco colossal que é, RESIDENT EVIL 4 seria o pior filme do ano até então.
Não assisti ao filme em 3D, portanto não tinha como eu analisar o elogiado bom uso dessa técnica no filme.

Guilherme disse...

filme ruim, mas ruim mesmo
o que salva é a ruivinha

mulhollandcinelog disse...

Mateus, joguei bastante RESIDENT EVIL 2 pra Nintendo 64 e acompanhei o lançamento dos outros games da série.
Quando saíram os primeiros materiais de divulgação da adaptação pro cinema do filme original, que parecia ter pouco a ver com o CLIMA do jogo, já bateu um desinteresse. E Anderson não é um bom cineasta. E, agora, a franquia tá no seu quarto capítulo... Brrrrrrr.
Digamos que vou confiar na sua opinião, com a qual é muito provável que eu concorde, assim não precisarei nunca assistir a esse treco.

Mateus Selle Denardin disse...

GUSTAVO, mas se você tiver a oportunidade de assistir ao filme em 3D (não sei se ele ainda está em exibição), acredito ser interessante, já que a técnica utilizada no filme foi bastante elogiada. Eu, infelizmente, não tive essa oportunidade, já que minha cidade não tem cinema 3D.

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