Cinema: "O Último Mestre do Ar"


Talvez não haja um cineasta que, nos últimos anos, tenha apresentado uma queda tão acentuada quanto à qualidade de suas produções quanto o indiano M. Night Shyamalan. Depois da estreia arrebatadora com O Sexto Sentido, seus filmes posteriores só causaram a frustração de cinéfilos por não exibirem o brilhantismo que o diretor conseguiu mostrar naquela produção. Corpo Fechado e Sinais ainda mantiveram algum resquício da criatividade do diretor, mas, a partir de A Vila, suas histórias começaram a cair no ridículo.

E é assim que se apresenta essa sua última incursão no Cinema, O Último Mestre do Ar. Com um roteiro e uma direção horrorosos, o filme — baseado no desenho Avatar: A Lenda de Aang — não tem força de manter o interesse nem de uma criança que vai ao cinema pela primeira vez.

Essa é a primeira adaptação de Shyamalan, e também seu pior trabalho. Os diálogos são de rachar os ouvidos de tão ruins; as atuações são meras (e péssimas) presenças de atores que não sabem o que fazer em cena; as coreografias são toscas e mal executadas; os efeitos visuais tentam esconder sua mediocridade em sequências noturnas.

No entanto, alguns pequenos detalhes isentam o filme de ser um desastre completo. Por exemplo, é interessante notar as brincadeiras envolvendo os quatro elementos e os letreiros iniciais dos estúdios. Os figurinos e a direção de arte também funcionam ao usar cores e ambientes que representam perfeitamente as roupas e as locações das nações — assim, a Nação da Água usa vestimentas em tons azuis e vive em uma enorme geleira rodeada pelo mar.

E, mostrando que não é um caso completamente perdido, Shyamalan mostra certa sensiblidade e inteligência em apenas duas cenas, no clímax do filme — as únicas que se podem chamar de memoráveis. A primeira envolve o sacrifício de uma personagem, e a outra, que ocorre logo depois e representa o ápice da trama, é uma sequência que mostra Aang (Noah Ringer, o protagonista) finalmente entendendo os ensinamentos e conseguindo realizar certa façanha. Nessas duas belas cenas — que, objetivamente, não representam grande coisa —, o cineasta é auxiliado por seu compositor habitual, James Newton Howard, o qual não cai na armadilha das trilhas histéricas (que seriam de se esperar nesses casos) e investe em violinos (lembrem de A Vila) que comovem e dão o tom exato dessas sequências.

Ainda errando na última cena do filme, que deveria vir apropriadamente após os créditos finais, e também na conversão para 3D de pouquíssimas cenas (aqui uma decisão mais de estúdio que do próprio diretor), Shyamalan deveria mesmo era parar e pensar bem sobre seu próximo projeto. Mas não vai, pois já havia anunciado, antes de começar esta produção, que faria uma trilogia independentemente do sucesso dos filmes nas bilheterias. Veremos se os estúdios deixarão.


O Último Mestre do Ar (The Last Airbender), 2010, Estados Unidos, 103 minutos.

Cotação: 4/10


5 comentários:

Ana Luiza disse...

Parece que ele foi na onda de muitos terem se enganado com o "Avatar",e criou um filme do desenho.
Adaptações de desenhos são ruins;só são boas as coreanas e japonesas,mas se consideradas dentro do universo de filmes B.
Acho que tem nada a ver filme desse desenho,pois não tem história.Por que não fazem de outros que são mais realistas,então?É incrível pensar que saiu do diretor de "O Sexto Sentido",realmente decaiu,assim como o Halley...

Maria F. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mateus Selle Denardin disse...

Escrevi o segundo parágrafo originalmente assim:

"E é assim que se apresenta essa sua última incursão no Cinema, "O Último Mestre do Ar". Com um roteiro e uma direção horrorosos, o filme — baseado no desenho "Avatar: A Lenda de Aang" — não tem força de manter o interesse nem de um eventual débil mental que vá ao cinema para olhá-lo."

Mas, embora já achasse o parágrafo meio inadequado quando estava escrevendo o texto, algumas reclamações me fizeram mudar a última frase. Mas que se saiba que essa frase era para ser entendida com humor, e não como uma ofensa de minha parte.

Cristiano Contreiras disse...

Filme amplamente ridiculo!

Otavio Almeida disse...

Se deixarem ele fazer uma sequência, talvez uma trilogia, bem, eu não vou ver. Aí terceirizo a crítica ;-)

Abs!

Postar um comentário

top