"True Blood": um pouco de tudo.

Sim, este blog é sobre cinema. Porém, não podemos menosprezar a influência que os seriados têm nas adaptações cinematográficas. Esta se dá na escolha de elencos, nos estilos de filmagem e, principalmente, funcionando como termomêtro de tendências e genêros que movimentam o mercado financeiro da indústria audiovisual.


Sempre fui fascinada pela ficção sobrenatural e, mais ainda, pelos vampiros em especial. Nosferatu, Bram Stocker, enfim, vários clássicos foram os que me iniciaram nesta aventura particular. Hoje, o vampiro ganhou traços modernos e eu, como admiradora, devo ser um tanto crítica, porém não preconceituosa com as novidades que aparecem no mundo fangbanger.

Então, eis a escritora/série que venho acompanhando: Charlaine Harris, com a Coleção de Livros "Vampiros do Sul" e, a adaptação da Coleção para a TV, com o seriado "True Blood" (exibido pela HBO). A premissa, tanto dos livros, quanto da série, é a convivência dos seres humanos e dos vampiros a partir da criação de um sangue artificial, possibilitando assim, a inserção oficial dos "sanguessugas" dentro da sociedade.


Criada por Alan Ball (responsável pela homenageada série Six Feet Under), "True Blood" é viciante. Possui um Cast invejável e atuações acima dos padrões para o gênero. Obviamente, a série é regada de ficção sangrenta e fatos irreais (porém, não tão absurdos). As risadas ficam garantidas pelo personagem de Jason Stackhouse (irmão da protagonista, Sookie Stackhouse), interpretado por Ryan Kwanten.

Além disso, "True Blood" tem um toque especial: deixa de lado a tendência hipócrita atual de não explorar a vida sexual dos vampiros e a revela de uma forma surpreendente. A série não poupa nas cenas mais íntimas, conseguindo atrair o público masculino, e não espantar o feminino. O público gay também não foi esquecido, principalmente nesta 3ª temporada, voltada ainda mais para os homossexuais. Por isso, se você está insatisfeita com o nu superior de Jacob na saga "Crepúsculo", ou com a virgindade dos protagonistas do filme, já sabe onde encontrar a libido dos vampiros.

É claro que a série possui altos e baixos. Semana passada, na comunidade oficial de "True Blood" no orkut, observei um tópico de críticas negativas à personagem protagonista da série, interpretada por Anna Paquin. No entanto, os membros exageravam nos adjetivos, pois, embora a interpretação possa não ser perfeita, está longe de ser insuficiente. Anna Paquin até possui algumas características que aborrecem os expectadores (como, em algumas tomadas, o destaque de sua voz levemente irritante), porém, interpreta seu papel em exata conformidade com a personagem do livro, representando ser o que deve: uma garota sem ambições, corajosa (embora consciente de sua ignorância intelectual), disposta a correr atrás de seus desejos e a proteger seus amores. 


Portanto, sugiro que (já relacionando com o cinema!) o leitor pense na "sem sal" Kristen Stewart no papel de Bella, antes de criticar a interpretação de Anna. E não me venham com o argumento: "Ahh, mas ela interpreta conforme o livro, pois nele ela é desajeitada, atrapalhada e não é bonita...". Uma coisa é interpretar uma jovem desajeitada que não chama a atenção, outra é não demonstrar nenhuma ou pouca expressão durante o filme inteiro, ou seja, não interpretar!

Bom, falando um pouco da Coleção "The Southern Vampire Mysteries", já li os dois primeiros livros: "Morto Até o Anoitecer" (Dead Until Dark) e "Morto e Vivendo em Dallas" (Living Dead in Dallas). O primeiro é mais interessante do que o segundo, embora ambos possuam um enredo muito mais (poderia dizer adulto?) do que outros livros do gênero. Além disso, a linguagem é mais voltada para a ação, o erótico e o suspense, deixando em segundo plano o drama e o romance. No livro são frequentes os relatos de sexo propriamente ditos, sem falar nos diálogos "apimentados" usados durante todo o livro. Em relação a tradução, ela é precária, devido ao fato de que Charlaine usa muitas expressões locais - do Sul dos Estados Unidos - que não podem ser traduzidas literalmente. Portanto, sugiro que o livro (ou e-book) seja lido em português, com, no mínimo, consultas na versão em inglês, a fim de esclarecer certos parágrafos sem sentido completo.

Finalizando, uma das coisas que me impressionou é que a obra literária coloca os fatos da narrativa de forma repentina, como se o leitor já tivesse um conhecimento prévio (acredito ser um estilo da autora, além de dar uma maior impressão de ação durante a estória). O seriado também faz isso, o que prejudica um pouco o desenrolar da trama. A relação geral entre llivros/série não é demasiada estreita, pois a adaptação para a TV traça caminhos distintos e incrementa-se com personagens externos.


Então, para os leitores que gostam de temáticas vampirescas, mas que estão decepcionados com a abordagem exageradamente modificadora e inocente que recai sobre as mesmas nas atuais produções, "True Blood" é uma opção. O seriado não deixa de ser bastante moderno (já imaginou um vampiro traficante de drogas?), mas não altera indiscriminadamente o comportamento e as características originais que um vampiro deve ter para ser um vampiro, oras!


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