Cinema: "Salt"


A temporada do verão norte-americano, notória por apresentar os maiores blockbusters e arrecadar as maiores bilheterias do ano, foi decepcionantemente fraca em 2010 — tanto artística quanto financeiramente. À exceção de Toy Story 3 e A Origem, as outras produções ou não conseguiram conquistar a crítica, ou não obtiveram grandes valores nas salas de exibição — ou, nos piores casos, ambos. Pois Salt está na linha das produções razoáveis do período, junto de Encontro Explosivo e Karate Kid.

A história é bem ultrapassada (leia-se: clichê), uma trama de espionagem que envolve russos e americanos, e tem um desenvolvimento óbvio em suas reviravoltas (são tantas que cansam o espectador de tão bobas e previsíveis). A trama inicia com a personagem-título sendo torturada na Coreia do Norte em face da suspeita de que ela seja uma espiã norte-americana. Ela nega, claro, mas logo percebemos que estava mentindo. Ou não.

Angelina Jolie, que interpreta Evelyn Salt, é eficiente em compor uma personagem que consegue, em boa parte do tempo, manter o espectador na dúvida sobre suas verdadeiras intenções. A ambiguidade da personagem — e também da trama —, inclusive, é ressaltada por detalhes clássicos (óbvios?), como a mudança da cor do cabelo ou das roupas usadas pela protagonista no decorrer dos eventos. Como coadjuvantes, Liev Schreiber e Chiwetel Ejiofor oferecem simples atuações que servem de escada para Jolie.

O diretor australiano Phillip Noyce (de Perigo Real e Imediato, O Americano Tranquilo e muitos outros) até que tenta imprimir certo vigor às cenas de ação, junto ao uso moderado de efeitos digitais, mas o resultado é enfadonho. Além disso, permite uma série de inverossimilhanças — como Salt abrindo as portas de um elevador com as mãos — que só fazem com que o filme perca pontos. Para finalizar o pacote de mediocridade, as composições de James Newton Howard não representam um momento sequer de criatividade.

Para não ficar só em pontos negativos, vale dizer que Noyce consegue retratar com bastante frieza a sequência de tortura inicial e outras cenas em que Salt mostra suas habilidades como assassina. E já que foram mencionadas as cenas iniciais, é bom ver que o diretor logo desiste do uso da câmera em primeira pessoa, a qual é utilizada por breves segundos e de maneira ineficiente.

Mesmo com todos esses defeitos, porém, Salt não é um filme ofensivo nem idiota o suficiente para que seja colocado ao lado de Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo ou Fúria de Titãs — esses, sim, a escória da temporada.


Salt (Salt), 2010, Estados Unidos, 100 minutos.

Cotação: 5/10


4 comentários:

Ana Luiza disse...

Ela tá envelhecida na foto de cima..
não é por se tratar de um asssunto "clichê" (essas coisas de espionagem, cia e tal) que o filme deva deixar de ser bom...
não sabia q tinha esse troço de ficar ambíguo se ela é ou não espiã... isso deve deixar o filme legal...

Maria F. disse...

A Jolie está enjoando nesses filmes. Ainda mais a cara dela,que é sempre a mesma...ela é uma ótima atriz,mas parece que só muda o nome.
Além disso,como sempre,os americanos fizeram um auÊ,só porque é ela...
prefiro meus filmes B de ação,que são toscos por natureza, a algo que tenta ser arrebatador.

alan raspante. disse...

Não sou grande fã de filmes de espionagem e etc, por isso acabo deixando este de lado, mas estou curioso com o burburinho em cima dele e gosto de Jolie em cena!

Nilson Jr. disse...

Não discordo em quase nada. Mas não acho que esteja no mesmo nível de Encontro Explosivo, que é quase tão ruim quanto Príncipe da Pérsia.

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