Cinema: "Encontro Explosivo"


Numa situação inusitada para ela, mas previamente planejada por ele, eles topam um com outro no aeroporto. A partir daí, e seguindo o plano dele, eles se conhecem; ele consegue que ela não embarque no mesmo voo que o seu; mas, por planos de outros, ela acaba embarcando. A situação, então, agora é inesperada para ele. Mas isso não quer dizer que ele fica com alguma mínima preocupação. Se ele fica, é por causa dela. Trata-se, aqui, de um super agente, interpretado por Tom Cruise, e de uma moça que virá a ser sua "companheira de aventuras" pelo filme e, claro, também seu par romântico (Cameron Diaz). No avião, se seguirão acontecimentos que servirão de prelúdio para uma trama cheia de clichês de comédias românticas e de filmes de ação, tornando a história previsível e sem nenhum atrativo enquanto narrativa.

O que não quer dizer que, enquanto fita de ação, Encontro Explosivo não cumpra lá alguns de seus objetivos. O diretor James Mangold (de Garota, Interrompida, Johnny e June e Os Indomáveis) aqui cria vários momentos que quase são de tirar o fôlego. Quase, já que a inventividade das sequências de ação é enfraquecida pelos constrangedores efeitos visuais, que, por serem óbvios e pouco convincentes, em vários momentos jogam o espectador para fora do filme. Se isso não fosse suficiente, até é interessante acompanhar algumas cenas de luta bem coreografadas e editadas, mas, tendo em Cruise um personagem imbatível, já não precisamos nos preocupar com ele (ou com a personagem de Diaz), pois o que se está vendo é pura exibição do poder do protagonista (e se alguém do time dele entrar em algum perigo maior, o que importa?, o final já é conhecido).

Mais uma vez interpretando um agente especial, Tom Cruise aparece sempre bem à vontade em cena, convencendo, para os propósitos da história, como seu personagem onipotente. Cameron Diaz também arranca alguma simpatia, e exerce bem o papel de histérica quando necessário. Mas se mal os protagonistas são bem desenvolvidos, então os outros bons nomes do elenco ficam só com suas meras presenças — entre eles, Peter Sarsgaard, Paul Dano e Viola Davis.

De tudo isso, resta ao menos um aspecto ótimo no filme: as composições musicais de John Powell. Entregando um grande trabalho pela segunda vez no ano (antes em Como Treinar o Seu Dragão), aqui ele compõe as músicas com destaque em instrumentos de percussão, corda ou sopro junto a batidas eletrônicas de forma inteligente e criativa, o que, por si só, já representa um diferencial em meio às tantas trilhas sem personalidade dos filmes do gênero.

Assim, ao menos pela trilha sonora e pelo carisma dos protagonistas, e por tudo que o filme pretendia ser e (não por pouco) não é, vale a visita.



Encontro Explosivo (Knight and Day), 2010, Estados Unidos, 109 minutos.

Cotação: 5/10


1 comentários:

alan raspante. disse...

Gostei bastante deste filme, pra ser sincero ele me surpreendeu. O filme é de fato clichê e percebe-se que Mangold quis apenas fazer uma fita de ação, achei bacana por ser bem divertido .. Enfim, gostei!

Postar um comentário

top