Desde o momento em que li Harry Potter e as Relíquias da Morte, apostei ser esse o livro mais adequado para a adaptação nos cinemas. Isso, contanto, não seria possível se tal tarefa fosse entregue em mãos erradas. Ansiosa, chego aos cinemas para assistir um dos meus anti-heróis favoritos e saio satisfeita e felicíssima.

Em um clima frio e tenso, a primeira parte da história das Relíquias da Morte é cinematografada com explícita qualidade, porém, jamais se esquecendo da sequência literária em que se baseia, pois, desde o início, o longa deixa claro que somente apreciará intensamente o filme aquele que assistiu à todos os anteriores. Isso, além de ser adequado, caracteriza o respeito aos milhares de fãs da saga Harry Potter.

A atmosfera do filme segue um ritmo sombrio, presente, como sempre, um universo de magia, porém esse como pano de fundo, sendo, dessa vez, o viés político a temática destaque. A analogia que o filme faz com uma sociedade em regime ditatorial (“a ditadura dos trouxas”) é muito clara, tendo Lord Voldemort como um vilão extremamente político, que cresce na medida em que consegue se articular com os poderes (Ministério, Hogwarts etc.) e que controla e conquista apoiadores através da opressão e da instigação do medo.

Harry, Rony e Hermione enfrentam juntos uma verdadeira guerra lançada pelos comandos de Voldemort. É gratificante observar a evolução dos laços de amizade entre o trio, o qual se relaciona de maneira simbiótica, onde, ao mesmo tempo em que a sobrevivência de cada um depende de todos os outros, a teste são postos todos os sentimentos de afeição, pois a guerra em questão trouxera o lado negro de cada um.

Ainda assim, há espaço para se emocionar com a relação fraternal existente entre os personagens, com destaque para a cena (SPOILER) em que Harry Potter convida Hermione para uma dança e os mesmos bailam timidamente e engraçadamente (ao delicado som de O'Children, de Nick Cave) como dois amigos que conseguem esquecer, por um momento, o nefasto mundo pelo qual devem intervir. Cena esta não presente no livro, mas que deu a história um belíssimo toque de emoção em uma ação delicada de roteiro e de direção.

Em Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 há muitas atuações em destaque. Os olhos que aparecem na tela logo no início do filme já abrem as portas para a atmosfera dramática que estará por vir, em uma bela e enérgica atuação de Bill Nighy, interpretando o ministro Rufus Scrimgeour. Contudo, os grandes nomes da vez são Rupert Grint (Ron Weasley) e, principalmente, Emma Watson (Hermione Granger). Rony destaca-se de uma forma estonteante (SPOILER) na cena em que briga com Harry e, utilizando-se de um diálogo bem elaborado, o ator demonstra estar confortável e, ao mesmo tempo, confiante perante seu papel. Com um emocionante amadurecimento, Emma Watson assume o papel de uma amiga que coloca o seu medo em segundo plano e faz de tudo para lutar pelas pessoas que ama, mantendo uma feição resistente durante todo o longa.

Claro que não se deve esquecer de Daniel Radcliffe, que, assim como seus companheiros de set, evoluiu de uma maneira estrondosa durante a saga, no mesmo compasso em que a história, por si só, exigia dos atores. Interpretar papéis tão alternantes, em que ora versam sobre pessoas normais com os medos e cotidianos comuns, e ora versam sobre atos do inimaginável universo bruxo, não é tarefa fácil, pois se corre o risco de inadequados over actings, tão comuns neste gênero de filme. Esse trio de atores segue para o último filme de cabeça erguida pelos seus méritos pois, longe de exageros e de estagnações, suas atuações merecem consideração devido a evolução que obtiveram ao longo dos anos.

Como leitora cuidadosa e como cinéfila, acredito ter o roteirista Steve Kloves feito um trabalho surpreendente de adaptação, pois se trata de um livro complexo e sequencial, sendo muito difícil dividir a história pela metade. Isso é visível quando, ao final, olhamos para a tela e pensamos "Já acabou? Eu quero ver o resto!”.

Porém, acredito que alguns trechos do livro que não constaram no roteiro se encaixariam perfeitamente sem ocupar um tempo desnecessário, como, por exemplo, (e aqui vai um enorme de um SPOILER) na cena em que Dobby morre, é colocada em cima do túmulo uma placa onde consta “Aqui jaz Dobby, um elfo livre", detalhe este que não aparece no filme. Tal inserção, a meu ver, só teria a contribuir  com a complexidade dramática da história. Além disso, há também algumas adaptações, digam-se de passagem, estranhas, como na mesma cena já citada, quando Dobby é enterrado (no filme) em uma duna de areia. Vai entender.

Deixando de lado tais escorregadas do roteiro, dada a responsabilidade ao diretor David Yates, esse faz um trabalho merecedor, pois cria de forma vitoriosa um contexto sombrio em torno dos personagens, dirigindo corretamente suas ações e expressões. Também, com uma iluminação incrível no estilo Low-key, a fotografia do filme é fantástica e, juntamente com uma trilha sonora eclética e clássica (amo Hedwig's Theme de John Williams!), a atmosfera do livro é traduzida perfeitamente para as telonas.

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 traz o prelúdio do final de uma saga que evoluiu juntamente com seus leitores, fãs, ou apenas apreciadores da sétima arte. Emociono-me quando imagino a quantidade de crianças e pré-adolescentes que cresceram acompanhando o universo mágico de Hogwarts e que consideraram todas as lições morais ensinadas por J. K. Rowling. 

Evoluímos na vida trouxa assim como Harry Potter evolui em seu cotidiano cheio de magia, aprendendo que uma vida segura resulta de pequenos sacrifícios e do apoio daqueles que nos amam. Assim como Harry, por vezes rejeitamos o caminho mais fácil, pois a parcela de coragem do pequeno bruxo que resta conosco sabe que o caminho mais difícil pode ser, também, o mais recompensador.



Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1), 2010, Estados Unidos, 146 minutos.

Cotação: 9/10


A obra do escritor britânico C. S. Lewis, ele nunca escondeu, foi feita em parte como forma de difundir (e, em maior grau, de pregar) os fundamentos do cristianismo, religião à qual se converteu por influência do amigo (católico) e também escritor J. R. R. Tolkien, criador de O Senhor dos Anéis. Os dois amigos, professores da Universidade de Oxford, partilhavam também o gosto pela fantasia, e esse certamente foi o fator que os alçou ao reconhecimento.

Vendo o sucesso das adaptações cinematográficas de narrativas fantásticas como a de Tolkien e também a de J. K. Rowling, a Disney decidiu investir, também ela, em uma franquia baseada em As Crônicas de Nárnia, por sua vez o trabalho mais conhecido de Lewis. O primeiro filme, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, de 2005, alcançou relativo êxito comercial e justificou uma continuação, Príncipe Caspian, de três anos depois. Este, no entanto, não acumulou valores satisfatórios em bilheteria, o que fez com que a Disney desistisse da série. Entrou, então, a Twentieth Century Fox, para complementar o financiamento junto a Walden Media.

Mudanças de estúdio não representam, necessariamente, melhora nas produções cinematográficas; essa introdução serve, na verdade, para mostrar que a Disney foi esperta em abandonar o navio (quase literalmente, nesse caso), já que, sem pesar os méritos artísticos, este terceiro filme, As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada, vem sendo um fiasco comercial, tendo, na presente data, mal conseguido pagar seus custos de produção.

Agora, considerando a qualidade da obra, bom, o filme é igualmente um fracasso. O diretor dos dois primeiros capítulos, Andrew Adamson, disse que queria "dar um tempo" quando se desprendeu do projeto. No seu lugar, entrou Michael Apted, e o resultado não poderia ser mais inexpressivo. Junto a um roteiro que não sabe o que quer contar, a direção do filme é desprovida de qualquer vigor ou inteligência, seja para a condução das sequências de ação, seja para dar um rumo coerente à narrativa.

Um ano no mundo real se passou desde os acontecimentos de Príncipe Caspian; em Nárnia, foram 3. (Aqui vale mencionar que não há uma relação temporal lógica entre a Terra e Nárnia, sendo que entre os dois primeiros filmes a relação foi de um para 1.300 anos) Os irmãos Pevensie estão separados durante a guerra: enquanto Pedro e Susana estão morando com o pai nos Estados Unidos, Edmundo e Lúcia estão com os tios na Inglaterra, onde tem de conviver com o insuportável primo Eustáquio. Certo dia, em meio a uma discussão, as três crianças acabam indo para Nárnia por meio de um quadro no aposento de Lúcia. Lá, eles se juntam a Caspian, agora rei, em seu navio Peregrino da Alvorada, e tem de resgatar os Sete Fidalgos (e suas espadas) a fim de combater o Mal que está se instalando naquele mundo.

Se em relação aos dois primeiros filmes se podia dizer que eram superiores aos contos, aqui o trabalho de Apted não permite tal inferência. A narrativa é totalmente fragilizada pela falta de estrutura, tanto que a história acaba soando episódica e desconexa. E se o filme acerta nos momentos em que utiliza a câmera na mão para dar mais realismo a uma obra mergulhada em efeitos visuais, erra ao não conseguir criar um momento sequer de humor genuíno — e os esforços do ator Will Poulter, que interpreta Eustáquio, são desperdiçados por um roteiro bobo e condescendente. Claro que o pior de tudo é ver frases tão expositivas quanto "Basta ter nessas coisas. Aslam vai nos ajudar." ou "No seu mundo, eu [Aslam] tenho outro nome.", que, se por um lado apenas representam a essência da obra de origem, por outro refletem a petulância dos produtores em querer fazer proselitismo.

Não apenas falhando em seus elementos narrativos, o filme tampouco se destaca nos aspectos técnicos. Se a fotografia consegue captar alguma beleza, a montagem destrói o ritmo; se a música de David Arnold é eficiente em retomar o tema criado por Harry Gregson-Williams, os efeitos visuais são irregulares e, em alguns momentos, constrangedores — só vale menção a animação empregada no ratinho Ripchip, que convence mais que qualquer outra coisa entre tudo o que se viu na série até agora.

Enfim, A Viagem do Peregrino da Alvorada acaba por representar não apenas uma mudança de estúdio (e de diretor), mas um retrocesso numa franquia que, embora não tão envolvente e interessante, até agora não havia entregado nenhum filme ruim. Até agora.


As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada (The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader), 2010, Estados Unidos, 113 minutos.

Cotação: 3/10

"Megamente": como se criam os heróis e os vilões


No Cinema, os vilões quase sempre representam personagens mais interessantes que os heróis. Sua complexidade é demonstrada, especialmente, pela personalidade, pela inteligência e pelo histórico de acontecimentos que os levaram a ser o que são. O Cinema de desenho animado que é voltado ao público infantil e que deve prezar, portanto, pelo politicamente correto, só em 2010 decidiu investir duas vezes em vilões como protagonistas — algo que, independentemente do desenvolvimento do personagem ou do resultado alcançado, pode ser visto como uma decisão ousada. O primeiro foi o fraquíssimo Meu Malvado Favorito; o segundo, este ótimo Megamente.

Dirigido por Tom McGrath, que comandou (ao lado de Eric Darnell) os igualmente interessantes — porém mais divertidos — Madagascar e Madagascar 2, o filme inicia com uma cena mostrando o protagonista Megamente caindo para a possível morte, do que se segue sua narração dos eventos que o levaram até esse episódio: o planeta no qual vive o pequeno protagonista está prestes a ser engolido por um buraco negro; seus pais, então, colocam o filho numa pequena nave para o enviar a outro planeta e, assim, salvá-lo do desastre (numa sequência que, obviamente, remete a Superman, não sendo essa a única referência ao filme de 1978). Não antes de proferirem uma despedida e deixarem-lhe um conselho — que, apropriadamente, ele não consegue ouvir. Na rota em direção à Terra (onde mais?), ele já se vê ameaçado pelo futuro inimigo, que virá a ser o herói Metro Man e que, assim como ele, foi enviado numa cápsula a outro planeta. Enquanto este último cai em uma residência luxuosa, o pequeno Megamente cai em um presídio.

Toda essa introdução, adequadamente repleta de lugares-comuns, serve para apresentar, então, quais foram os fatores que orientaram as duas crianças a seguirem destinos diferentes (e também para que nos identifiquemos e simpatizemos com o vilão). Ou seja, Megamente, apesar de ser bastante inteligente e criativo, acabou sendo uma pessoa excluída onde quer que fosse, o que o levou a seguir o caminho do mal — e mesmo que diga, em certo momento, que ele estava destinado a ser um supervilão, é óbvio que as circunstâncias pelas quais passou tiveram papel nesse sentido. Isso também serve para confirmar uma frase do filme, e que, por sinal, está no título desse texto: que heróis (mas também vilões) não nascem assim prontos; eles são criados — uma pena é que a mensagem por trás dessa afirmação não é apresentada a fim de fazer um paralelo, mesmo que óbvio, com a história; ela é logo usada para outro fim do roteiro.

Uma história de heróis e vilões, Megamente também acaba por mostrar que um só existe graças ao outro, que essas são duas entidades que dependem uma da outra e se completam — conceito esse que foi magnificamente explorado na obra-prima de 2008, Batman: O Cavaleiro das Trevas. Aliás, ao derrotar Metro Man, o protagonista se encontra sem saber o que fazer, e algumas sequências são fabulosas a mostrar isso. "Eu não tenho objetivo!", diz Megamente em certo momento. Da mesma forma, o filme também trabalha lindamente a questão de as pessoas poderem escolher o caminho que querem seguir em suas vidas, desvencilhando-se de predeterminações impostas pela sociedade ou pelo próprio indivíduo a ele mesmo — e a cena em que Metro Man toca uma música à guitarra é igualmente divertida e reflexiva. E se alguns podem apontar que "grandes poderes trazem grandes responsabilidades" — e que, então, aqueles que possuem certas qualidades especiais devem servir ao bem maior —, há de se lembrar que aqui se trata de uma animação (o público-alvo é o infantil), e assim certamente os desejos pessoas tendem a prevalecer como orientação das decisões futuras. Tudo isso, claro, converge para a jornada de Megamente, cujo arco dramático é construído com grande eficiência pelo roteiro.

Embora se saia bem, portanto, no estudo desses temas e de seus personagens, o filme falha (às vezes feio) em alguns outros aspectos. Por exemplo, mesmo tão inteligente, Megamente é incapaz de causar susto na repórter Rosane Rocha, que fora recém-sequestrada — e para tanto usa calabouços com crocodilos, serras e outras parafernálias que refletem apenas um vilão medíocre e sem criatividade. Há também a sequência completamente descartável em que o cameraman convida a repórter para um encontro — e que, pela duração, parece servir apenas a aumentar a metragem do filme. E o erro mais grosseiro: um objeto que pode resolver o principal conflito da trama é lembrado, inexplicavelmente, apenas no fim da história. (Isso para não falar da ridícula piada feita na adaptação nacional do texto, que envolve a palavra "exit").

Já na técnica de animação, uma ou outra irregularidade pode ser observada: enquanto o detalhamento do primeiro plano ou do plano de conjunto é bem construído, é comum observar um descuido no desenho dos planos gerais. Por outro lado, há muito que se elogiar (e aqui vale lembrar que Guillermo del Toro foi consultor criativo da produção): a começar por Megamente, que além de apresentar movimentos e expressões impecáveis, foi concebido perfeitamente com um corpo longilíneo em contraposição a uma cabeça exageradamente grande (e que justifica seu nome). O desenho das roupas merece igualmente destaque, assim como os objetos metálicos (perfeitos visualmente) e o corpo robótico em que fica Criado, o ajudante/mordomo/bicho-de-estimação do anti-herói. Também há de se lembrar da barba crescida no queixo do cameraman e do cabelo grisalho de Metro Man, detalhes que só enriquecem a produção.

Meio óbvio (mas não por isso desagradável) na escolha das canções — que incluem "Bad to the Bone", "Highway To Hell" e "Bad" —, o filme traz a partitura musical assinada por Hans Zimmer e Lorne Balfe, mas que acaba por não apresentar grande impressão durante a narrativa. A montagem traz algumas boas transições e outras sem inventividade alguma, mas no geral o resultado é positivo. Embora alguns clichês possam insistir em alguns momentos ("Eu tinha uma razão para vencer: você."), eles não chegam a representar maior incômodo.

Certamente inferior à obra-prima da DreamWorks, Como Treinar o Seu Dragão, também de 2010, Megamente, no entanto, consegue desenvolver com propriedade sua história e certamente é um trabalho a ser celebrado — mesmo que não possa ser considerado exatamente memorável.


Megamente (Megamind), 2010, Estados Unidos, 95 minutos.

Cotação: 7/10

Harry Top


Hoje estreia em todo mundo a primeira parte do capítulo final da série Harry Potter, e muitos cinéfilos aproveitaram para rever os seis filmes já lançados antes de assistirem a Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1. Essa revisão sempre leva o espectador a relembrar detalhes importantes da trama da saga (essa, sim, uma saga) e a rever os queridos personagens e sua evolução (bem como a de seus intérpretes), mas também o faz reavaliar seus favoritos entre os filmes. E eis aqui a minha ordem de preferência:


#6 | Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Sorcerer's Stone), 2001
O primeiro filme da série apresentava, apropriadamente, o universo mágico de Harry Potter a partir de um olhar mais infantil, ingênuo, e com um deslumbramento genuíno em relação a esse novo mundo a que os personagens (e também o público) foram apresentados. No entanto, falhava em não conseguir articular muito bem a história, que padecia sob um ritmo episódico. A direção de arte era primorosa ao criar os fascinantes ambientes, objetos e criaturas, mas era pouco ajudada pelos falhos efeitos visuais. Fomos apresentados a um elenco adulto extraordinário, para dizer o mínimo, e a ótimos jovens atores que deram vida (e a sua vida, pode-se dizer) aos célebres personagens. Além de tudo, John Williams entregou mais um tema envolvente e inesquecível. Cotação: 6/10


#5 | Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire), 2005
Mike Newell assumiu a direção desse quarto capítulo da franquia, mas fez um trabalho sem muita personalidade, algo ainda mais contrastante se comparado ao ótimo resultado visual que o mexicano Alfonso Cuarón conseguiu no filme anterior. Mas talvez o maior problema aqui tenha sido a história pouco interessante, que além de tudo foi mal trabalhada pelo roteiro. Se por um lado acompanhava e analisava com certa propriedade a fase adolescente dos personagens, por outro não conseguiu tornar cativantes ou dar algum sentido maior aos demais eventos. A fotografia foi um ponto alto, conseguindo imprimir um tom depressivo adequado em vários momentos. Cotação: 6/10


#4 | Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Ordem of the Phoenix), 2007
Único da série que não contou com roteiro de Steve Kloves, este quinto capítulo também marcou a entrada de David Yates na franquia, o qual acabou assumindo a direção de todos os outros três filmes. Realizando um bom trabalho em explorar o contínuo tom de perigo e urgência iniciado no terceiro filme, o diretor também conseguiu dar bastante destaque aos dramas enfrentados pelo protagonista, mas falhou no uso dos efeitos visuais, que se mostraram por vezes inconsistentes — algo inadmissível numa série que alcançou a perfeição nesse aspecto já em seu segundo filme. Cotação: 7/10


#3 | Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban), 2004
Considerado por muitos o melhor da série, O Prisioneiro de Azkaban certamente deve muito disso ao cineasta mexicano Alfonso Cuarón, que imprimiu ao filme um tom sombrio e trágico, o que, por isso mesmo, representou um amadurecimento em relação aos episódios anteriores. A fotografia densa reservava às cenas a menor luminosidade possível, e os movimentos de câmera eram realmente fascinantes. Mas nem todo esse rebuscamento visual foi capaz de relevar as graves falhas no roteiro, que se rendia a piadas bobas e a clichês primários, além de não apresentar grande avanço no desenvolvimento dos personagens. Cotação: 7/10


#2 | Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince), 2009
Yates realizou um trabalho excepcional de direção nesse penúltimo capítulo, transformando esse no mais triste, tenso e angustiante filme da saga. Montagem excelente, fotografia primorosa, e as melhores atuações em toda a série — destaque óbvio para Michael Gambon, mas também Tom Felton e Daniel Radcliffe. Cotação: 8/10


#1 | Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets), 2002
Embora não tenha arrebatado com o primeiro filme, Chris Columbus conseguiu um resultado espetacular em A Câmara Secreta. Não apenas a trama mais interessante e bem articulada da série, esse segundo capítulo encantou com sua direção de arte absolutamente detalhada e com efeitos visuais que representaram um avanço imenso em relação ao filme anterior (trazendo a partida de quadribol mais excitante dentre todos os filmes). Cotação: 9/10

Cinema: "Ponyo - Uma amizade que veio do mar"


Após ter seu lançamento no Brasil adiado por várias vezes, finalmente o filme de Hayao Miyazaki, com o título original Gake no ye no Ponyo, chega aos cinemas nacionais dois anos depois de sua estréia no Japão. A história gira em torno de Sōsuke, um garotinho de 5 anos que mora em um penhasco, com vista para o mar. Certo dia, ao brincar na praia, Sōsuke conhece Ponyo, uma princesa peixinho-dourado que mudará a rotina do garoto e desejará se tornar humana para ficar ao lado do seu mais novo melhor amigo.

Mais uma vez, após o sucesso dos filmes Meu Vizinho Totoro, Princesa Mononoke, A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado, Miyazaki e o seu Estúdio Ghibli nos trazem uma obra que reflete um universo inocente através de um olhar delicado e otimista, marca do diretor em questão. E é este olhar diferenciado que retrata os laços afetivos e as ações destemidas de seus personagens em busca de realizações sentimentais típicas do íntimo infantil. Miyazaki sempre explora essa temática, por vezes de uma forma mais complexa (agregando conceitos ambientais, sociais etc), como também com um viés mais puro e simples.

Assim como em outras das suas obras, Miyazaki prefere trabalhar da maneira tradicional, onde predomina o trabalho manual (extremamente detalhista) dentro de suas animações, exteriorizando a simplicidade que deseja em seus filmes. É impossível não deixar escapar sorrisos inocentes e não sentir uma satisfação interior ao observar as aventuras dos protagonistas dentro de situações inéditas e levemente excêntricas.

Os dubladores originais são geniais (japoneses, claro!); a trilha sonora composta por Joe Hisaishi é sensacional, acompanhando as emoções dos personagens e, consequentemente, do público.

Ponyo - Uma amizade que veio do mar, indiscutivelmente, é um filme obrigatório para os fãs de anime, como também para os adoradores de animações. Mais que isso, é um filme obrigatório para os adultos, principalmente para aqueles que já esqueceram da prazerosa experiência que é viver e sonhar como as crianças. Por vezes, isso deve ser praticado, e, com certeza, são elas e pessoas como Hayao Miyazaki que nos instigam a fazê-lo.

 
Ponyo - Uma amizade que veio do mar (Gake no ye no Ponyo), 2008, Japão, 101 minutos.

Cotação: 7/10

Cinema: "Resident Evil 4: Recomeço"


Ao ser lançado em 1996, o jogo Biohazard (posteriormente Resident Evil) foi um grande sucesso de público e acabou popularizando o subgênero survival horror e as histórias de zumbis. Bastante inspirado nos filmes do gênero de George A. Romero, o jogo iniciou uma franquia que continua ainda hoje, estendendo-se a publicações e a uma série de filmes, entre outros produtos. O próprio Romero estava trabalhando para levar a história às telas, mas acabou se desligando do projeto devido a diferenças criativas. O posto foi assumido, então, pelo péssimo Paul W. S. Anderson, que levou a produção adiante, na função de diretor, roteirista e produtor. Resident Evil: O Hóspede Maldito teve mais três sequências (todas escritas e produzidas por Anderson), na última das quais o diretor também voltou ao comando atrás das câmeras. O que rendeu este Resident Evil 4: Recomeço.

Esse quarto filme segue a insossa história dos anteriores (ou seria melhor dizer: "repete a história dos anteriores", já que não insere nada de realmente importante no que foi visto até então), a qual não merece ser lembrada. Basta dizer que Anderson dá continuidade a uma série que, a cada capítulo, fica mais ridícula e insuportável (desnecessária ela é desde o segundo filme). São frases constrangedoramente expositivas, quando não simplesmente idiotas; e situações estúpidas que fazem jus ao nível dos diálogos e que servem apenas para gastar tempo e justificar mais um longa metragem.

Na direção, Anderson, sempre de forma infeliz, abusa das câmeras lentas e opta por uma edição sonora que parece usar como base um som metálico estridente que fere os ouvidos dos espectadores. Se já não fosse o bastante, a trilha sonora segue a mesma cartilha e completa a sessão de tortura. Confirmando ser consistente em sua incompetência, o diretor não consegue conceber sequer uma sequência de ação minimamente interessante — e aquela que se passa num banheiro e envolve uma das mocinhas e um zumbi grandalhão é a prova de que o diretor deveria ser proibido de continuar no ramo cinematográfico. Tudo bem, deve-se admitir que há um momento que até funciona razoavelmente, quando a protagonista Alice, após saltar de um prédio por um cabo, cai em meio a vários zumbis e — sempre acompanhada em câmera lenta, claro — começa a abrir caminho entre eles, demonstrando todo seu vasto repertório de habilidades letais.

Das atuações, vale mencionar Milla Jovovich (mulher do diretor, aliás), que acerta na sua composição que contrapõe a voz baixa e rouca com suas competências de heroína de ação (enfim, só isso); e na ótima presença de Wentworth Miller, que curiosamente interpreta um papel que divide grandes semelhanças com seu personagem na série
Prison Break. As demais performances ou são irregulares e limitadas pelo péssimo roteiro — a de Ali Larter, por exemplo —, ou são realmente fruto de atores medíocres, como Shawn Roberts, que interpreta o risível (para dizer o mínimo) vilão.

Tentando prolongar o improlongável (e já aproveitando para deixar um gancho para uma continuação), o diretor ainda insere uma cena boba durante os créditos, e uma fala mais boba ainda ao fim do filme (a qual, aliás, está presente no trailer). Que essa produção é um atestado de que
Resident Evil é uma série cada vez mais decadente e repetitiva, não há dúvida. Basta apenas que o produtor Paul W. S. Anderson perceba isso.


Resident Evil 4: Recomeço (Resident Evil: Afterlife), 2010, Estados Unidos, 97 minutos.

Cotação: zero/10


Desde que se achou capaz de dirigir e escrever suas próprias produções — ou seja, após o sucesso de Rocky, um Lutador —, Sylvester Stallone escorregou tanto quanto era grande sua ambição. Nesse percurso, em que, claro, também não deixou de atuar, Stallone colecionou dezenas de Framboesas de Ouro, além da fúria de cinéfilos que viram séries como Rambo e Rocky se afundar no ridículo. E volta agora, tentando realizar um filme de ação que reúne os nomes mais prestigiados do gênero nas décadas passadas, do que se esperaria uma grande celebração. Aliás, isso se não fosse ele próprio quem estivesse atrás (e na frente também) das câmeras.

Em parte filmado em cidades do Rio de Janeiro, Os Mercenários trata de um grupo de assassinos profissionais que, notório por suas missões em todo o mundo, acaba sendo contratado para matar um ditador de uma fictícia ilha na América Central, e então trazer de volta a paz e a liberdade no local. Lá, são ajudados por uma mulher — que é (olhem só!) filha do tal general ditador, e por quem um dos mercenários irá meio que se apaixonar —, e mais tarde também acabam descobrindo que um agente dissidente da CIA está financiado todos esses eventos na ilha.

A partir dessa trama ge-ni-al, os roteiristas Dave Callaham e (adivinhem!) Stallone criam diálogos e situações que, se não presentes no filme, seriam um grande alívio à tortura que os pouco mais de 100 minutos de projeção representam. O fato é que, equivocadamante achando que atualmente uma boa história é irrelevante nesse tipo de projeto, a dupla pareceu não se preocupar o mínimo para que o roteiro e as cenas de ação se complementassem com alguma eficiência. Não bastasse essa falha enorme de coesão estrutural, é claro que o filme se rende aos mais repulsivos clichês: o interesse romântico de um dos mercenários lhe troca por outro homem, o qual virá a bater nela mais tarde, apenas como desculpa para que o casal volte a ficar junto; ou o momento, já no final, em que o vilão se dispõe a explicar toda a sua história (como se ninguém já não a tivesse entendido desde o começo do filme).

Com aquela cara endurecida incapaz de oferecer qualquer nuance de expressão, Stallone lidera um elenco homogeneamente ruim (e tão inexpressivo quanto ele): Dolph Lundgren, Jason Statham, Jet Li, Terry Crews, Eric Roberts e muitos outros (além de Giselle Itié) não fazem nada a não ser aparecer em cenas de ação ridículas ou entonar alguma das falas descartáveis do roteiro. Mas quem merece mesmo o rótulo de pior atuação é Bruce Willis, que, a despeito de aparecer por poucos minutos, consegue a proeza de não exibir qualquer sinal de composição de personagem.

Essa cena, aliás, é compartilhada também por Stallone e Arnold Schwarzenegger e representa, portanto, o encontro (inédito) dos mais populares astros do Cinema de ação da década de 80. É, inclusive, talvez a cena mais interessante de todo o filme, apesar da canastrice absurda dos três — que, na vida real, são amigos de longa data, inclusive trabalhando juntos como empreendedores de uma rede de restaurantes e cassinos. As falas são fraquíssimas, mas conseguem atrair alguma atenção por tentarem inserir no contexto do filme detalhes da história dos atores durante suas carreiras, como menções ao fato de um ou outro ser o mais famoso em tal época; referências à série Rambo ("Então dê o trabalho ao meu amigo aqui", diz Schwarzenegger, referindo-se ao personagem de Stallone, e continua: "Ele adora correr pela selva."); ou mesmo o instante final, quando o personagem de Willis pergunta ao de Stallone, após a saída de Schwarzenegger: "Qual é o problema dele?", recebendo como resposta: "É que ele quer ser presidente."

No entanto, deve-se lembrar de Mickey Rourke, que recebeu um injusto papel, mas que merece créditos por se esforçar para não cair no ridículo com seu personagem. Porém, acaba por protagonizar umas das cenas mais estúpidas de Os Mercenários, na qual passa por uma catarse ao se lembrar de quando não salvou uma mulher durante a guerra, o que o leva a dizer a pérola: "Se tivesse salvo aquela mulher, teria salvo o que resta da minha alma."

Claro que, num filme de ação, roteiro e atuações não importariam muito, já que são explosões, perseguições, tiros e lutas que deveriam atrair o espectador. Mas, fazendo questão de ser péssimo em absolutamente tudo, o filme sequer se salva nesse aspecto. Utilizando uma montagem histérica que não permite que o espectador compreenda o que se passa na tela, as sequências de ação são de uma falta de criatividade embaraçosa. Além disso, Stallone opta pelo uso de câmera rápida em várias cenas a fim de realçar o efeito de movimento, mas não percebe que esse artifício é horrível esteticamente. E, para finalizar, os efeitos visuais são de uma artificialidade constrangedora.

Ainda cometendo erros básicos como o descuido da continuidade de certa cena (a qual acompanha uma mulher à noite, logo cortando para outra câmera e exibindo uma claridade não condizente com a situação anterior) ou mesmo o penteado do vilão nos momentos finais do filme (que corre em meio a explosões sem nunca mover um fio de cabelo), Stallone aqui afunda todas as expectativas de qualquer um que quisesse ter uma experiência empolgante ao lado desses atores que são ícones desse gênero tão torturado.


Os Mercenários (The Expendables), 2010, Estados Unidos, 103 minutos.

Cotação: 1/10



Exagero. Se existe uma palavra que possa resumir o resultado de Nosso Lar, essa palavra deve expressar o excesso de pregação e as excentricidades cometidas no filme. Baseado na obra homônima psicografada pelo médium Chico Xavier, Nosso Lar aproveita a linha de sucesso da temática espiritual, difundida pelo seu antecessor, o longa Chico Xavier.

André Luiz (Renato Prieto) é um espírito que desencarna e atinge a zona inferior do mundo espiritual, chamada de umbral, um local de punição e reflexão sobre a vida na terra. Após um longo período de sofrimento, ele é levado para a Colônia Espiritual Nosso Lar, espécie de cidade onde se reúnem os espíritos entre uma encarnação e outra. Lá, André adquire conhecimentos que mudarão completamente o personagem. Resumidamente, a mensagem que o filme propõe centra-se na glorificação do trabalho justo e nas consequências resultantes das atitudes humanas.

A obra seria louvável se concentrasse seus esforços na mensagem objetivada, porém, observamos um foco muito mais religioso do que reflexivo. A doutrina espírita, sempre caracterizada como alternativa, neste filme consegue ares de instituição, expressando uma preocupação óbvia em pregar suas bases e sua didática, acima de ilustrar lições morais genéricas sobre a vida. Em síntese, o filme não se preocupou em ser (o quanto fosse possível, em razão do livro em que se baseou) impessoal. Diferentemente de Chico Xavier, com caráter mais documental e análise da doutrina como um fato, como uma filosofia a se penetrar conforme a vontade de cada um, Nosso Lar nos apresenta o espiritismo como verdade absoluta.

Partindo dessa análise subjetiva, esse viés absoluto ficou ainda mais reforçado pela exatidão exagerada do filme. Com estruturas prontas e semelhantes a da Terra, a cidade ganha um caráter material muito forte, corroborado, é claro, pela artificialidade dos efeitos visuais. Luzes verdes (que mais lembram veneno) representam a energia que cura; procedimentos (e demora!) que se parecem com o nosso sistema judiciário; organização política e hierarquias que nos fazem até lamentar a vida após a morte. O umbral representado no filme é semelhante a própria concepção de inferno (com desnecessário excesso de fumaça por todos os lados) e apresentou-se como uma punição que liberta, como uma cadeia que ressocializa, o que, na verdade, pioraria as condições do desencarnado.

Com péssimos roteiro e direção de Wagner de Assis (roteirista de alguns filmes da Xuxa), a obra apresenta frases sem contexto, diálogos desconexos, e um principiante descuidado com detalhes importantes (por exemplo, é gritante, em algumas cenas, a dessintonia da trilha sonora com os movimentos e notas que certos músicos fingem tocar). Além disso, as atuações carecem de técnicas interpretativas básicas, como o impulso interno que leva à ação, presente, principalmente no ator Renato Prieto (Bezerra de Menezes), literalmente um robô que às vezes sabia rir. Fernando Alvez Pinto (que interpretou Lísias, o grande amigo de André na cidade espiritual) também não cumpriu seu papel como coadjuvante, talvez por falha de Assis, que prejudicou a maioria dos atores. Salvam-se, porém, Paulo Goulart, que interpreta um bondoso e exigente Ministro Superior, e Aracy Cardoso (ex-paciente de André Luiz, Dona Amélia), simples e engraçada em seu papel.

A bela trilha sonora concebida por Philip Glass (O Ilusionista, As Horas) e gravada pela Orquestra Sinfônica Brasileira procura, a todo momento, encaixar -sena história. A fotografia tem seus momentos de sucesso (com o fotógrafo suíço Ueli Steiger, de Godzilla, 10.000 a.C. entre outros), e os canadenses da Intelligent Creatures (Hairspray, Watchmen), embora, não duvido, tentaram se esforçar na criação dos efeitos especiais, acredito que ficaram confusos com as exigências do roteiro e direção. Cito a equipe, talvez para justificar o orçamento de R$ 20 milhões gastos com a produção, porém, desperdiçados, graças aos grandes e pequenos erros já comentados.

Finalizando, deixo claro que não li o livro e atentei-me, simplesmente, a analisar o filme que, acredito eu, tentou ser fiel à obra literária. Além disso, embora o longa não tenha atingido um bom resultado, reconheço a iniciativa do cinema local em se aventurar nos efeitos especiais nunca antes usados em produções brasileiras. Tento entender, pelo caráter estreante, os erros cometidos, porém, penso não ser uma justificação plausível, em razão dos exageros já reiterados nesta resenha. 

Enfim, não pretendo, com esse texto, enfurecer os espíritas. Respeito o espiritismo e, até certo ponto, surpreendo-me com os fatos que a ciência não consegue explicar. Porém, ainda tenho muitos questionamentos acerca da doutrina (por exemplo, a questão da interpretação do espírito realizada pelo médium), mas não estenderei essa linha de pensamento, pelo menos agora. 

 

"Nosso Lar", 2010, Brasil, 102 minutos.
Cotação: 02/10
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